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terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Castings dos programas ditos de talentos

Há uns dias surgiu na internet uma revolta imensa devido ao casting do Mastechef Portugal, inclusive foram publicadas notícias sobre o assunto. Não posso de todo opinar sobre esta situação em específico porque não fui fazer o casting (até porque não sei cozinhar). De qualquer das formas não percebi o espanto das pessoas com isto.

Eu, que passei nada mais nada menos do que 14 horas na fila da primeira edição do Factor X, parto do princípio que já conheço estes esquemas todos. Como adorei a minha experiência, passo a contá-la. Mandaram-nos estar lá às 7 da manhã. Ponto 1: cantar de manhã é muito mais complicado do que da parte da tarde. Ponto 2: eles já sabiam que não iam começar às 7 da manhã e que nós só íamos para lá tão cedo cansarmo-nos. É verdade que as pessoas que nos avaliam não sabem nada de música, mas a verdade é que a voz também se cansa. 

Passadas duas belas horas de desespero (já com milhares e milhares na fila) chegam as pessoas que fazem parte da produção do concurso. Pensámos que era agora que os castings iam começar. Nada disso. Primeiro vamos só gravar mil e uma vezes os concorrentes  e acompanhantes a dizer "factor x" e a fazerem um "x" com os braços. Obviamente eu desisti de fazer o que me mandavam depois da primeira vez. Passado isto começámos a andar (UAU). Mas íamos parando para que pudessem gravar o pessoal com as guitarras a cantarem. Pediam-lhes para cantarem, porque já ninguém estava com paciência. Na televisão pareciam todos muito felizes.

Os castings, segundo o que ouvi dizer, começaram depois do meio-dia (sim, cinco horas depois daquela a que nos mandaram estar lá). Estava um calor horrível. Algures durante a tarde chamaram-nos para fazer um "x" gigante (aquele que apareceu no início do programa). Disseram-nos que nos iam levar para dentro do Teatro Camões para nos convencerem a ir. Estivemos lá uma boa meia hora. 

Fui até ao Vasco da Gama, voltei e ainda estava longe do meu número. Eram 9 da noite quando me chamaram para a fila. Estavam imensas pessoas ainda lá dentro para fazerem o maldito casting. A esta hora já eu me estava a arrepender de ter ido, mas pensei para mim "vá Jessica, já te chamaram, agora aguentas mais um bocado". Veio um senhor da produção falar connosco para nos dizer que tínhamos duas opções: ou esperávamos e fazíamos o casting provavelmente às 2 ou 3 da manhã, ou íamos embora e voltávamos no dia seguinte. Fiquei pior que estragada. Eu e as pessoas que estavam ao pé de mim não fazíamos mais nada a não ser reclamar. 

Regressei no dia seguinte (estive mesmo para não o fazer). Tinham-me pedido para levar três instrumentais de músicas gravadas num cd. Quando entrei para a sala de casting (onde todos se ouviam uns aos outros) a mulher da produção que lá estava pediu-me para cantar. Perguntei-lhe se queria acapela e ela disse-me que sim. Podia ter preparado qualquer música, mas tive de me focar naquelas que tinham instrumental.

Fiz a porcaria do casting (onde obviamente não passei) e quando saí era a pessoa mais feliz do mundo. O terror das mil e uma horas à espera estava acabado. Nem conseguia acreditar. Das pessoas que foram comigo (e ainda eram umas 20), não passou nenhuma. Talvez porque não temos talento, talvez porque as pessoas da produção sabem tanto de música como o Jorge Jesus, talvez porque já estavam fartos de ouvir pessoas a cantar. Sei que foi a única coisa com que a SIC se preocupa são imagens bonitas de pessoas felizes para passar ao público. 

Foi o pior dia da minha vida (juro que foi) e é por isso que prometi a mim mesma NUNCA mais me inscrever em nada vindo da SIC. 

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