MEO Marés Vivas

18:10

Não sei bem onde é que fui buscar a ideia de que tenho espírito festivaleiro. Não tenho. A minha mãe percebeu isso no momento em que eu lhe disse que ia ao Marés Vivas. Eu percebi quando me sentei às 20h em cima de pedras e terra à espera dos concertos. O meu espírito é mais o da preguiça extrema, mas o preço dos bilhetes compensava os dois concertos que queria ver (que podiam muito bem ter sido os primeiros da noite para me poder sentar mais cedo). Mas passemos ao que interessa.

Depois de umas horas na invicta (onde as pessoas parece que não sabem ser antipácticas) rumei a Gaia e à terra e pedras que me acolheram durante mais de seis horas em pé. É possível que esta tenha sido a vez que fiquei mais perto do palco e simultaneamente aquela em que menos vi. Isto de ter pouco mais de um metro e meio é complicado.


A noite começou com The Black Mamba. Não conhecia (aliás, conhecia uma música), mas acabei por gostar. Não passei a ser fã, mas foi um bom início de noite.

Seguiu-se a madrinha do festival: Ana Moura. Tenho de confessar que não gosto lá muito de fado. Já sei, os portugueses têm de gostar todos de fado e não gostar é quase um crime. Too bad. Eu passo bem sem fado, mas até achava que ia gostar de ver a Ana Moura ao vivo. Não podia estar mais enganada. Foi bastante mau. A voz dela estava uma miséria (não sei se é sempre assim nem me interessa) e o concerto foi também uma miséria. Para mim foi a pior da noite e demorou imenso tempo. Chegou a altura em que me sentei, eu e muitas outras pessoas que se fartaram tal como eu e ainda tinham muitas horas de espera pelos The Script (que era o que a maioraia estava ali para ver).

Seguiu-se um mini-intervalo com o pessoal das manhãs da comercial. Até parei de "jantar" e me levantei. Depois veio o grande, enorme, fantástico e fenomenal Jamie Cullum, mas disso falo mais à frente.


Os The Script fecharam o MEO Marés Vivas deste ano. Eram a banda que a maioria queria ver e não desiludiram. O Danny nem sempre tem a voz no seu melhor, mas felizmente não desiludiu. A setlist foi reduzida em relação ao concerto do MEO Arena de Abril, mas foi na mesma um bom concerto. Foi só bom porque depois de Jamie Cullum, ninguém consegue ser assim tão bom (e olhem que eu há anos que adoro The Script). Vale a pena também dizer que The Script é bom mas não pelo álbum '#3'. É pior álbum deles e aquele que os fez ganhar mais fãs. É triste, mas verdade.



Falemos então agora do melhor da noite. Ladies and gentleman: Mr. Jamie Cullum. Tem ar de quem fez um pacto com o diabo para ficar eternamente jovem, mas já tem uma carreira com mais de 10 anos. Acredito que muitos não o conhecessem e tenham saído de Gaia fãs. Porquê? É difícil explicar. Jamie Cullum é o artista mais completo que conheço. É voz, é piano, é tambor, é beatbox, é coisas estranhas no piano, é tudo e mais alguma coisa. É completamente indiscritível. 


O triste no meio disto tudo foi uma rapariga que estava à minha frente e se sentou a meio do concerto. Pior: começou a ouvir música no telemóvel. Ora, eu posso até ser estranha, mas desconfio ser impossível ouvir melhor música que a do Jamie ao vivo. Mesmo que não se goste de jazz. Eu também não gosto, mas é preciso dar o braço a torcer. Depois desta sentou-se uma atrás de mim. Felicidade suprema. Já nem sei que música é que começou a dar mas as pessoas começaram a saltar. Eu, no micro-espaço que tinha entre as duas não-apreciadoras-de-música-a-sério, pus-me a saltar também. Achei que ia cair para cima delas, mas eu paguei para me ficarem a doer as pernas à séria. E a garganta. Sim, porque a probabilidade de eu ter sido a pessoa que mais gritou naquele concerto é enorme, o que fez com que os The Script merecessem pouquinhos gritos meus.


É preciso referir que fiquei fã de Jamie Cullum a praticar um dos meus desportos preferidos: zapping. Exacto. Estava a passar canais e na BBC Entertainment (aquele canal em que só dá o Elo Mais Fraco) estava a dar este concerto que acabei por ver até ao fim. Já conhecia as músicas mais famosas e inclusive lembrava-me de "Don't Stop The Music" que foi um cover muito falado na altura (juro que me lembro de uma notícia da RTP sobre isso e tudo) e depois de ver o concerto fiquei mesmo fã. Agora estou ainda mais.


O concerto só pecou mesmo por uma coisa e uma coisa muito grave. Eu sei que ele tem pouco mais de um metro e 60, mas não é preciso fazer os concertos à medida dos interpretes. Foi realmente um concerto pequeno com poucas músicas, senão vejamos (se a memória não me falha):

The Same Things
Get Your Way
Frontin'
High And Dry
Everlasting Love
Don't Stop The Music
Mixtape
When I Get Famous (depois de contar que a música é sobre um rapaz de quem as raparigas da escola não gostavam e que agora é relativamente famoso)
Love For Sale
Everything You Didn't Do
All At Sea
I'm All Over It

No final do concerto o britânico disse que voltava a Portugal quantas vezes nós quisessemos. Se assim fosse realmente mudava-se para minha casa ou para a dos meus vizinhos para eu o poder ouvir sempre que quisesse. E a parte mais gira é eu estar a dizer isto sem ele ter cantado "Twentysomething", "You And Me Are Gone", "Save Your Soul" e "You're Not The Only One" que são algumas das minhas preferidas. Se fosse eu a fazer a setlist até falecia de tanto guinchar!


Conclusões: a partir de sábado, o Jamie pode voltar a Portugal sempre que quiser, que eu estou lá. Nem que seja sozinha. 

E agora tirem uma hora do vosso tempo e vejam isto porque vale MUITO a pena:

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