Sobre as eleições #2

17:09

Não, não sou expert em política apesar de poder dar essa ideia já que ontem já mandei uns bitaites antes das eleições. Acontece que, mesmo não tendo muito para dizer, apetece-me tecer alguns comentários sobre o acto eleitoral.

Os portugueses estão satisfeitos. Eu tinha a impressão que não, mas parece que era mesmo só eu e mais meia dúzia de pessoas. Curiosamente não há comentários de apoio ao governo nas redes sociais, o que me leva a concluir uma de duas coisas:

  • Ou as pessoas que votaram na coligação têm vergonha na cara e não o andam a gritar aos sete ventos (ao menos isso);
  • Ou, de facto, ninguém votou na coligação e voltámos àqueles tempos em que os mortos também tinham direito de voto. Nada contra, mas é capaz de ser irrelevante para os mortos quem é que governa o país.
Ao longo destes últimos quatro anos vi as pessoas queixarem-se tanto ou mais do que na altura em que o Sócrates era PM. Não há emprego (e não me venham com a lenga-lenga dos 11.9% de desempregados porque toda a gente sabe que é mentira), o ordenado mínimo não dá para viver (sim, a pagar renda de casa e contas sobra muito para comer), os jovens ou emigram ou fazem estágios do IEFP, há milhares de professores desempregados para dar lugar a uns que nem 1+1 sabem somar, o serviço nacional de saúde é uma miséria, e estava nisto o dia todo. Mas estamos muito bem. Viva a austeridade. Viva o governo da Merkel. Viva os submarinos que o senhor "demito-me irrevogavelmente" achou serem estritamente necessários ao país (não fosse um cardume de sardinhas atacar). Viva Portugal e viva os portugueses. Se os portugueses estão satisfeitos, quem sou eu para criticar.

Lembram-se de a generalidade dos portugueses criticarem os gregos quando estes voltaram a eleger o Syriza? Pois. Sabem qual é a diferença entre nós e os gregos? É que eles renegociaram ao máximo o plano de austeridade. Eles tiveram direito a dar a sua opinião via referendo. Nós tivemos mais austeridade do que a troika exigia. Isto e o facto de eles terem sido campeões da Europa em 2004 e nós continuarmos com a eterna promessa de vencer qualquer coisa. Mas, mais uma vez, se os portugueses estão felizes, quem sou eu para criticar? 

P.S. É importante referir que não percebo nada de política.

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