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sábado, 14 de novembro de 2015

Rezar? A quem?

Não é costume mas hoje falo de um assunto sério. Sem ironias, sem piadas parvas, sem estupidez. Porque o que se passou assim o exige! É aterrador pensar que, em menos de um ano, uma das principais capitais europeias sofreu dois atentados desta dimensão. Se o primeiro foi contra jornalistas que satirizavam o estado islâmico, este foi contra pessoas perfeitamente normais. Pessoas que saíram de casa a uma sexta à noite para jantar com amigos, assistir a um concerto ou a um jogo da selecção.

Sempre fui educada como cristã e talvez por isso hoje em dia não me reveja no Deus que os cristãos veneram. Não posso acreditar num Deus omnisciente, omnipotente e omnipresente que deixe isto acontecer. Não posso acreditar que tenha feito o homem com tantos defeitos. Se tem o poder de o parar, porque é que não o pára? Gosta de ver guerra? Por outro lado temos os terroristas a afirmar serem movidos pelo islamismo. Desconfio que em algum momento Alá tenha dito "semeai no mundo um clima de terror, matai-vos e matai todos os outros". 


Imaginem o que é estarem fechados numa sala de espectáculos horas e horas com armas apontadas às vossa cabeças. Imaginem como será estar dentro de um estádio de onde não podem sair e  sem saberem nada do que se passa. Imaginem o que é estarem a jantar com amigos e de repente começarem a ver tiros a voar! É disto que os refugiados fogem. É para evitar isto que arriscam as suas vidas todos os dias. 

E se tivesse sido cá? Acredito que o massacre tivesse sido bem maior. Um jogo amigável da selecção teria enchido o Estádio da Luz e a verdade é que ninguém revista ninguém. Em todos os jogos que fui ver, fui revistada umas duas vezes. É ridículo, mas verdade. Qualquer pessoa entraria com uma bomba e o número de mortos seria absolutamente catastrófico.


Mais: estamos a falar de um país que daqui  uns meses receberá o Euro 2016. Que condições de segurança podem ser garantidas para os milhares que vão apoiar os seus países? Quantos campos terão de ser invadidos no final dos jogos? Quantas equipas terão de dormir no estádio para depois poderem sair em segurança?

O que me preocupa de facto é que este atentado, o do Charlie Hebdo e a crise dos refugiados, a médio prazo não passem de uma introdução de uma resposta a uma qualquer pergunta de um exame de história A sobre a terceira guerra mundial. E aí, duvido que a Europa conseguisse recuperar. 


"Il ne me reste que des larmes
(...)
Comment survivre après ça?
(...)
Quand ils sont arrivés
Cachés derrière leurs armes
Ils étaient des milliers
Ils riaient de nos larmes"

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