Resumo da minha eurovisão

eurovisão maio 18, 2018
Depois de um resumo minucioso daquilo que podiam esperar da final da Eurovisão, parece-me justo trazer-vos um resumo do que foram as minhas reacções à final da Eurovisão em plena Altice Arena.


1. Como assim último lugar do júri?

2. Aplausos moderados porque havia espanhóis por perto e não me apetecia falecer.

3. Mantenho o que disse no outro resumo: a parte em que a música "pára" lá pelo meio é a melhor porque ouvir isto é uma tortura.

4. Se tivesse vontade, teria ido à casa de banho.

5. Eu era a única que aplaudia os constantes 12 pontos do júri para isto. 

6. Pobres pessoas que gastaram milhares num vestido a acharem que ganhavam.

7. Fã mais entusiasmada mesmo achando isto péssimo. Desilusão total com aquele 15.º lugar.

8. Não fiz nenhum estudo mas posso afirmar com algumas certezas que fui a única portuguesa que não se levantou para aplaudir e que não gritou. Sou muito patriota, eu sei.

9. Atrevo-me a dizer que foi O momento da noite. Um dos poucos em que me levantei para cantar e aplaudir após a invasão de palco.

10. Irrelevante.

11. 4.º lugar... quem diria?

12. Aplausos imensos para o melhor cantor do ano.

13. Eu sabia que isto ia ficar num lugar mediano. Não disse nada porque ninguém me perguntou.

14. Estava um gajo à minha frente vestido exactamente como o Checo.

15. Toda a gente adorou, menos os júris.

16. Toda a gente adorou, menos as pessoas com bom gosto.

17. Prova de que podes gritar o quanto quiseres e mesmo assim não foges aos últimos lugares.

18. Aquela discussão básica para ver qual a parte em que a vocalista canta e qual aquela em que faz playback.

19. Tão mau que foi bom.

20. Melhor momento da noite? O bottom 5 da Suécia na votação do público depois do 2.º lugar no júri. Que maravilha. Nunca vi tanta gente tão feliz.

21. Nunca mais fui a mesma depois disto.

22. Foi a mais aplaudida da noite e as bandeira de Israel eram as que mais se viam (depois das portuguesas e espanholas, claro).

23. As holandesas ao meu lado eram as únicas fãs. Quando ele chegou à green room acenou-lhes. Tomei o aceno como sendo para mim também que tinha a Holanda em 2.º.

24. Havia mesmo pessoas a achar que isto ia ganhar. Pobrezinhos.

25. Se há um ano me tivessem dito que eu ia ver uma Eurovisão em que o Chipre ficava em segundo lugar, não sei como teria reagido. Provavelmente da mesma maneira que reagi no sábado.

26. Eu era a única com uma bandeira italiana (na verdade vi mais uma). As holandesas ao meu lado riram-se quando eu estava sozinha a festejar os 12 pontos do júri albanês. Depois do top 5 já ninguém se riu.

Conclusões disto tudo: 

  • Fiz as contas ao dinheiro gasto e não foi agradável;
  • Estou constipada porque teimo em pensar que de noite faz tanto calor como de dia;
  • Ganhou uma música de que eu não gosto;
  • Quem andou nos mesmos comboios que eu achou que eu era maluca por andar com uma bandeira italiana atrás.

Como nem tudo é mau, parece-me relevante dizer que foi uma experiência extraordinária pelo festival em si, pelas pessoas e porque conheci um dos artistas que mais admiro (e não vou desenvolver o assunto por não querer ser confundida com uma miúda de 13 anos). Ah, e não houve nenhum atentado terrorista como a minha mãe previa. Quem quiser ler uma opinião mais aprofundada, ei-la aqui.

Resumo da final da Eurovisão

eurovisão maio 11, 2018

Acredito que muitos portugueses já não possam ver a palavra Eurovisão à frente (principalmente aqueles que me seguem no twitter). Compreendo. Nos últimos dois anos também queria que acabasse rápido tendo em conta a qualidade (ou falta dela) das músicas a concurso. Como seria de esperar, os experts em música acordaram da hibernação para dizer que é tudo péssimo mas - espantem-se - há músicas boas este ano, sejam elas baseadas em feelings ou em fireworks. Mas o meu objectivo não é convencer ninguém a gostar da Eurovisão (até porque teria poucos argumentos para o fazer) mas sim apresentar-vos de modo resumido as 26 músicas a concurso na grande final. Sigam este recap comigo:


1. Começamos bem com um gótico a sair de um caixão que afinal é um piano que se incendeia mais para o fim. Esta é a primeira de muitas músicas que não são cantadas em inglês.

2. Um casal mais forçado que os vencedores da Eurovisão em 2011. Na verdade nunca consegui ouvir isto até ao fim.

3. O primeiro cabelo rosa da noite e as primeiras palavras que vamos ouvir em português. A parte em que a música "pára" lá pelo meio é a melhor porque ouvir isto é uma tortura.

4. Salvador Sobral versão feminina. Excelente para quem, ao contrário de mim, tem sentimentos.

5. Um excelente cantor com uma actuação péssima e uma roupa ainda pior. Nem seria a mesma coisa se os meus favoritos não estragassem tudo em palco.

6. Ópera em italiano com um vestido onde são são reproduzidas imagens. Excelente voz mas é uma pena não ter instrumental.

7. O vencedor de 2009 voltou com uma música chamada "That's How You Write A Song". Curiosamente é uma das piores músicas que ele já escreveu.

8. Vamos acabar nos últimos lugares.

9. Reino Unido como sempre a deixar bem claro que está na Eurovisão para lutar pelo último lugar.

10. Einstein a tocar flauta, saudação Nazi e uma intro que parece demorar duas horas.

11. M*rda, queria dizer qualquer coisa maldosa ou engraçada sobre esta mas não dá. 

12. Melhor cantor da edição inteira. A questão é mesmo: onde é que ele comprou aquele casaco?

13. O nome da música é "Mercy" mas parece que se lê "Merci". Ninguém vai perceber, mas a letra da música é maravilhosa.

14. Um gajo de mochila e roupa esquisita a fazer uma dança esquisita.

15. Vikings.

16. Uma mulher a fazer uma dança muita estranha. E sim, a Austrália participa.

17. Há uma coisa estranha no palco e uma mulher aos gritos. Mais eurovisivo que isto não há.

18. A mulher está a fazer playback enquanto uma corista canta por ela. Maravilhoso este mundo da Eurovisão, não é?

19. Música péssima (mas mesmo péssima) com uma actuação genial.

20. Há países que tiveram de cortar as suas músicas porque tinham mais de 3 minutos. A Suécia tinha 30 segundos e repete-os seis vezes.

21. A minha mãe a gritar comigo mas em húngaro.

22. Uma mulher a cacarejar.

23. Uma fusão entre blues, rock e country com gente a fazer breakdance. Lembram-se quando eu disse que os meus favoritos arruinavam tudo em palco? Cá está mais uma prova.

24. Um rapaz a cantar, outros dois a dançar e uma música que toda a gente odiava mas que agora está no 3.º lugar das apostas. Como? Não sei.

25. "Music isn't fireworks" my ass. Isto lidera as apostas e foi rejeitada pela minha cantora preferida. Apoio a decisão.

26. A prova de que há uma primeira vez para tudo é este staging perfeito da minha música preferida que lhes vai valer um excelente lugar fora do top 10..

Belíssima final, não é? Agora é esperar que a Noruega vença para a III Guerra Mundial começar no twitter.

Sobre as rendas em Lisboa

abril 24, 2018
Tem-se falado muito nos últimos dias sobre a questão das rendas absurdas em Lisboa. Os canais de televisão noticiam isto como se fosse uma novidade, no facebook há cada vez mais indignados com o assunto e eu, que gosto de estar sempre em cima do assunto do momento, venho mostrar-vos o lado positivo disto.

Ninguém consegue arrendar uma casa em Lisboa com os míseros ordenados que temos e, portanto, a opção mais viável é viver na rua. É uma opção com imensos benefícios para estudantes e trabalhadores, senão vejamos: viver na rua permite escolher a zona em que se quer viver. Afinal, dormir num banco da avenida da liberdade é bem mais glamoroso do que habitar numa casa partilhada com mais 8 pessoas em Chelas.

Escolher um quarto implica muitas vezes pagar um mês de renda e outra de caução a priori, o que faz com que sejamos obrigados a permanecer naquele local durante pelo menos dois meses mesmo que odiemos os colegas de casa. Este não é um problema que se põe se estivermos a dormir num banco de jardim uma vez que todos os dias podemos mudar de localização. Este nomadismo dos dias modernos permite ainda que vivamos perto do local de trabalho ou da faculdade. Quem nunca sonhou acordar às 8h45 para ir trabalhar às 9h00?

O drama de "não posso ficar até muito tarde porque depois não tenho transportes" também acaba, tal como o problema das casas demasiado pequenas para fazer jantares de grupo. Já estou a imaginar  um jantar de aniversário com os meus amigos no terreiro do paço (na verdade qualquer casa minúscula teria espaço suficiente para todos os meus amigos).

E, como se isto não fossem já razões mais que suficientes para provar que isto das rendas altas não tem nada de negativo, ainda há o factor verão. Sim, é que dormir ao ar livre no verão é bem melhor que dormir em casa.

Questões que assolam a humanidade #25

questões que assolam a humanidade abril 18, 2018
Como é que se distinguiam os inimigos numa batalha se ambos usavam uniformes da mesma cor?


Como e costume, trago-vos uma questão pertinente que não vi abordada na internet e me parece relevante para a vida em sociedade. Pensemos então sobre isto: a maioria dos uniformes militares que vemos em filmes e séries são vermelhos ou azuis (e só estou a dar-lhes credibilidade para ter algum tipo de fundamento para este texto). Primeiro que tudo temos de saudar todos aqueles que combateram guerras nos séculos passados porque, além de estarem a arriscar as suas vidas, ainda o faziam em roupas que parecem extremamente desconfortáveis. Se eu mandasse, combatiam-se guerras de pijama.

Mas foquemo-nos naquilo que é realmente relevante: se ambos os exércitos usassem vermelho como é que não acabavam a matar os seus aliados ao invés dos inimigos? Das duas uma: ou se conheciam todos uns aos outros, ou faziam como no futebol e usavam um uniforme suplente. Sendo que ambas me parecem bastante improváveis, creio que só me resta ter fé em vocês e esperar que alguém me envie a resposta a esta questão (não era a primeira vez). Até lá vou apenas supor que se matavam todos uns aos outros.

Coisas que só acontecem nos desenhos animados

abril 10, 2018
Depois de tanta gente ter visto o texto que escrevi sobre as coisas que só acontecem nos filmes (ou de eu ter carregado demasiadas vezes no F5), trago-vos um spin off com situações estupidamente parvas que se passam nos desenhos animados.

1. Usar toalha mesmo que nunca se use roupa


Quem nunca viu um episódio em que o Bugs Bunny acaba de tomar banho e tem uma toalha enrolada à cintura? Poderíamos argumentar que é para se secar mas, sendo assim, só metade do corpo fica seco.

2. As pessoas gostam demasiado de limonada

Quando era criança decidi fazer limonada uma vez para ver se sabia assim tão bem ao ponto de compensar montar uma banca na estrada e vender aquilo no verão. Não sei se errei na quantidade de sumo ou de açúcar, mas a verdade é que desde essa altura que não bebo limonada e, como devem calcular, nunca ganhei um tostão a vendê-la.

3. Toda a gente fala português

Sim, eu sei que tem de ser mesmo assim, mas e quando há uma personagem inglesa que fala português com o sotaque mais ridículo da história? Ninguém fala com aquele sotaque. Um inglês a falar português não é assim tão compreensível. Eu sei porque uma vez estive 10 minutos para perceber que um queria ir para Belém e Belém não é uma palavra assim tão complicada.

4. As promoções "leve 20, pague 1"


Quem nunca ficou deprimido/a quando as suas calças preferidas deixaram de ser usáveis? Eu fico constantemente porque sei o quão difícil vai ser encontrar substitutas à altura. Os desenhos animados são dotados de uma inteligência fora do normal e sabem que o melhor que há a fazer é comprar logo a roupa toda igual. Aproveitam e também facilitam o processo de escolha dos outfits.

5. Os disfarces são mínimos mas extremamente eficazes

Sempre que vejo (sim, o verbo está no presente) daqueles desenhos animados tipo Navegantes da Lua (ou cópias reles) fico estupefacta com o facto de ninguém as reconhecer só porque mudaram de roupa. Havia poucas coisas que me tiravam mais do sério quando era miúda do que isto. 

Se o tempo é dinheiro...

março 23, 2018
Certamente já vos aconteceu dezenas de vezes ficar à espera de alguém (se não vos acontece regularmente é porque são vocês que fazem esperar e, nesse caso, é melhor pararem de ler por aqui porque não vão concordar com nada do que se segue). Se, como eu, estão fartos de esperar 10 ou 15 minutos como se isso fosse aceitável, juntem-se a mim nesta luta.

Esta brincadeira de as pessoas se atrasarem constantemente e ainda se congratularem quando chegam a horas pela primeira vez na vida tem de acabar. "Como?", perguntam vocês. É simples: é preciso que se aprove uma lei que ponha em prática o antigo ditado "tempo é dinheiro" e multe quem faz o outro perder tempo (e, por conseguinte, dinheiro). Se isto for para a frente e tiver efeitos retroactivos eu sou milionária neste momento sem o saber.

E como é que isto se aplicaria? É aqui que tudo se torna mais difícil mas não é nada que um aparelho vindo de um episódio de Black Mirror não resolva. Não me peçam é para o desenhar que eu sou de letras. Claro que é preciso estabelecer níveis de atraso consoante vários factores e, por isso mesmo, fiz um esquema bastante elucidativo daquilo que pretendo:


Pode parecer que eu estou a sugerir isto apenas para proveito próprio mas esta medida é um ciclo mais eficiente que o da água, senão vejamos: parte das multas seria para o estado (como tudo na vida) o que faria a nossa economia crescer. Depois de gastarem o seu dinheiro em multas, as pessoas pensariam duas vezes antes de se atrasarem o que tornaria todas as empresas mais eficientes fazendo a nossa economia crescer mais uma vez. É possível que o problema deste país seja a aceitação mútua da falta de pontualidade.

Dia do pai

março 19, 2018
Conhecem aquele jogo em que alguém diz uma palavra e vocês têm de adivinhar uma música que tem essa palavra? Super divertido, eu sei. Devem estar a pensar: "o que é que isto tem a ver com o dia do pai?". À partida nada, mas não desistam já de mim (se é que não desistiram logo na primeira frase).

O meu pai é o campeão desse jogo e nem precisamos de estar a jogá-lo. Muitas vezes estamos a conversar e, a partir da palavra mais aleatória, ele começa a cantar uma música que nem eu nem a minha mãe alguma vez ouvimos. Uma vez estava a ver o Benfica e o comentador falou no Eliseu (ah, as saudades desse craque) e ele começou a cantar uma música para o Eliseu. Se isto não é um dom, não sei o que será!

Isto é o mais próximo que o meu pai terá de uma publicação nas redes sociais e, tal como aconteceria nesse caso, ele não vai ler isto.

Tudo soa melhor (e mais caro) em inglês

março 11, 2018
No outro dia ouvi falar sobre a National Geographic Summit e fiquei fascinada ao perceber que os bilhetes para este evento custam até 75€. Sabem qual é o significado de summit? Conferência. Mas conferência é uma palavra sem encanto e que não nos faz querer pagar para ouvir pessoas a falar sobre coisas. 

Isto começou tudo com a Web summit e está a alastrar-se. Qualquer sítio onde haja umas pessoa a falar em inglês sobre temas interessantíssimos dos quais a audiência não percebe nada é uma summit.

Há uns anos atrás esta palavra não existia. Nos tempos de faculdade organizámos conferências que, se tivessem summit no nome, talvez tivessem rendido qualquer coisa. 

O estranho momento de acabar uma conversa

março 04, 2018
Já todos nós passámos por aquele momento em que não temos mais nada para dizer (ou escrever, neste caso) mas não sabemos como dizer isso mesmo à pessoa com quem estamos a falar. Criam-se ali uns instantes de embaraço para ambos os lados do teclado porque a outra pessoa também não quer dizer mais nada e, muitas vezes, até deseja fervorosamente que não digamos nada. As soluções encontradas passam pelo envio de um smile ou emoji ou até ignorar a mensagem não correndo o risco de a ver. 

Eu proponho algo muito mais inovador e que tenho vindo a pôr em prática há alguns anos com uma pequena amostra de indivíduos. Imaginem este cenário: estão trocar mensagens com uma pessoa e de repente apercebem-se que aquela conversa não vai a lado nenhum e não estão em condições de começar uma nova. Em vez de optarem por um emoji  a rir, experimentem um "não tenho mais nada a dizer sobre isto". A outra pessoa fica com a sensação que o problema não é ela estar a ser desinteressante mas sim o facto de vocês serem intelectualmente limitados e não conseguirem continuar o diálogo. É possível que uma parte da população leve a mal, mas ninguém vos pode condenar por falta de honestidade.

Novo mês, novas manias

facebook março 01, 2018
A expressão que dá título a isto, e que eu inventei agora mesmo, devia entrar em vigor para todos os aspectos ridículos da nossa sociedade. Num mundo perfeito este tipo de manias nem se aguentariam mais de dois dias, mas temos de aceitar que o ser humano é imperfeito e estabelecer metas possíveis. 

Para quem ainda não faz ideia do que é que eu estou a falar, permitam-me que vos elucide: 


Só quem não entrou no facebook nos últimos tempos poderá estar alheio à imensidão de imagens de pessoas com a sua suposta aparência se tivessem nascido com um cromossoma diferente. Eu sei que cada um faz o que quer na sua página mas isso não implica que eu não possa avisar essas pessoas de que estão a ser ridículas. É serviço público. De nada.