10 possíveis sucessores de Lopetegui

Futebol janeiro 08, 2016
É uma notícia que está a abalar muitos portugueses (leia-se Benfiquistas e Sportinguistas): Julen Lopetegui foi mesmo despedido. Estou ainda mais triste do que quando fizeram o mesmo ao Paulo Fonseca. É nesta altura que os jornais começam a especular. André Villas-Boas, Marco Silva, Nuno Espírito Santo, Jesualdo Ferreira e afins são alguns dos nomes mais falados. Eu, que sou uma pessoa muito prestável, junto-me à especulação e apresento-vos uma lista de 10 possíveis sucessores do espanhol. A lista inclui oito treinadores de topo e dois prontinhos a começar uma carreira. Façam o favor de fazer chegar estas propostas ao Jorge Nuno.


Paulo Bento

É uma das minhas propostas preferidas. Paulo Bento teve um grande desempenho no Sporting e também o teria tido na selecção se não fosse a temperatura no Brasil. Actualmente está na RTP a dizer "ah concordo ah com tudo ah aquilo que o ah Carlos Daniel ah disse". Além de uma excelente opção para treinar o Porto, animava as conferências de imprensa que eram o ponto mais fraco de Lopetegui.


José Couceiro

Já conhece os cantos à casa porque já treinou o Porto em 2005. Seria certamente um regresso aplaudido por todos. Dos três grandes, só o Benfica cometeu a estupidez de nunca o ter contratado.


Carlos Queiroz

Mais uma excelente opção. Carlos Queiroz pode até não ter vingado na selecção nacional, mas não podemos esquecer que o português era o cérebro por trás das conquistas de Sir. Alex Fergusson no Manchester United.


Carlos Carvalhal

Um treinador exemplar que também já conhece os cantos à casa. Actualmente treina o Sheffiel Wednesday, um clube da segunda divisão inglesa que ninguém conhecia até que há umas semanas venceu o Arsenal. Com ele ainda estavam na Champions!


Rui Vitória

Estou de tal forma empenhada em arranjar um treinador para o Porto que até lhes "ofereço" o do meu clube. Rui Vitória não é considerado treinador por Jorge Jesus, mas se olharmos para a história e esquecermos as seis derrotas que tem em meia época no Benfica, vemos que é um excelente quase-treinador. Aproveitem agora que é época de saldos e com sorte levam outro lateral.


Rafa Benitez

Passamos para um dos melhores treinadores do mundo. Já passou pelo Liverpool, Cheslea, Inter e mais recentemente Real Madrid. Fartou-se de ganhar títulos em todos estes clubes (excepto no Real) e entre eles está a Liga Europa em 2013 ao Benfica. Se isto não é um argumento convincente, não sei o que será.



Ancelotti

Sim, eu sei que ele já foi dado como certo no Bayern na próxima época, mas até lá pode querer um part-time e aproveitava. Assim esperavam até que o contrato do Villas-Boas acabasse.

Brendan Rodgers

Está sem emprego desde que foi despedido do Liverpool para dar lugar a um treinador que consegue estar a fazer um trabalho tão mau como o seu. Mas antes que pensem que este é um péssimo treinador, deixem-me que vos diga que levou o Liverpool ao segundo lugar da Premier League. Imaginem o que podia fazer pelo Porto.


Batatinha

"Ah mas o Batatinha não é treinador". Epa o Guardiola também nem sempre foi treinador, há que dar oportunidades às pessoas. Além disso os jogadores nem iam notar que tinha saido um palhaço para dar lugar a outro.



Cavaco Silva

Este último já é um caso de bondade. Todos sabemos que o Aníbal está prestes a perder o emprego e, como devem calcular, a reforma não lhe chegará para comer. Assim sendo, junta-se o útil ao agradável.

Podia também sugerir o meu nome, mas todos sabemos que não aguentava uma semana a ouvir o Pinto da Costa.

Questões que assolam a humanidade #9

questões que assolam a humanidade janeiro 07, 2016

Como é que o sapato da Cinderela só lhe servia a ela?

Não querendo arruinar um dos contos infantis mais adorados de sempre, há várias coisas na história que me incomodam. Primeiro: os sapatos deviam desaparecer. O vestido, a carruagem e afins desaparecem quando o feitiço acaba à meia-noite, mas os sapatos não. Qual é a explicação? E, por sorte, tinham de ser mesmo os sapatos. A rapariga podia ter ficado com o vestido, mas isso não permitia que o príncipe a encontrasse depois, não é?

Mas supondo que a Fada Madrinha fez de propósito para que a magia dos sapatos durasse mais que a restante, como é que se produz um sapato que só serve a uma pessoa? É que todas as raparigas experimentaram o sapato. TODAS! Partindo do princípio de que a Cinderela era uma rapariga de estatura perfeitamente normal e calçava um 37/38, os sapatos tinham de servir a mais raparigas. Portanto, ou a Cinderela calçava o 50, ou então esta história está muito mal contada.

12 "desejos" que não se vão realizar em 2016

janeiro 01, 2016
Comeram as 12 passas à meia noite? Pediram os 12 desejos enquanto as comiam? Parabéns para vocês. Eu não fiz nem um coisa nem outra. Primeiro porque não gosto de passas. Geralmente como Ferrero Rochers que me ofereceram no Natal (não 12, mas pronto). Segundo porque raramente me lembro de pedir desejos e, das poucas vezes que isso acontece, nunca tenho 12 para pedir. Não que não os arranjasse, mas já me parece rebuscado o Benfica ser campeão portanto não me vou dar ao trabalho de pedir para ganhar o Euromilhões sem jogar e afins. E como pedir é muito bonito, ficam 12 coisas que não se vão realizar em 2016, independentemente de as terem pedido ou não.

O final da crise

Esqueçam. A crise gostou do nosso clima, dos nossos pastéis de nata e das nossas 1001 receitas de bacalhau. Chegou, instalou-se e agora ninguém tira de cá. É como na Grécia. Deve gostar de climas solarengos. Se ela não se agravar já é uma sorte.

Bons programas na televisão portuguesa

É possível que alguém tenha pedido o final dos reality shows, dos programas de domingo à tarde, das novelas ou de qualquer programa que envolva o Pedro Guerra. Lamento, não vai acontecer. Reality shows dão audiências, programas de domingo dão dinheiro, novelas são um excelente enche chouriços sem que seja preciso pensar muito numa história e o Pedro Guerra... é o Pedro Guerra.

Portugal campeão europeu de futebol

"Vamos para vencer o Euro", "assumimo-nos como candidatos", "temos todas as condições para vencer", etc. São frases que ouvimos de 2 em 2 anos (adaptadas em altura de mundiais) e o mais próximo que estivemos de as ver concretizadas foi há 12 anos atrás quando perdemos com a poderosíssima Grécia. Esta é a eterna promessa que nos é feita todos os anos e a que se segue um conjunto de "justificações" deploráveis quando somos miseravelmente afastados da competição em questão. Os jogadores vão ver o Presidente da República, rumam à Portela com o discurso de sempre: "estamos confiantes, temos uma excelente equipa, mas isto é etapa a etapa". Chegam lá e falham a passagem do grupo, ou passam e perdem na eliminatória seguinte contra um dos colossos como a Rússia ou a Suécia. Voltam a Portugal, queixam-se do joelho do Ronaldo, da temperatura, do local onde estagiaram, das longas deslocações, dos croissants, do medo do Estado Islâmico ou das t-shirts não estarem bem passadas a ferro. Há sempre uma desculpa. Mas verdade seja dita que a culpa disso é dos adeptos que ainda acham possível um Éder ou um Nani marcar um golo ao Neuer ou o Rui Patrício conseguir defender um golo de um Benzema ou de um Muller. 

Ter um ano político estável

Dia 24 deste mês há eleições (e eu faço anos). Basta olhar para os candidatos para perceber que tudo é possível à excepção da estabilidade. Até porque todos nós sabemos que Belém vai ser ocupado pelo Marcelo nos próximos tempos. Vamos ouvir o PR todos os dias, seja a falar do quão bem está o seu Sporting de Braga ou a recomendar livros. De política se calhar não vamos ouvir tanto, mas também convenhamos que o comentário desportivo é bem melhor para as audiências.

Acabar com a guerra no mundo

Ainda há quem se aproveite deste cliché para pedir no início do ano? Sim? Então lamento desiludir-vos, mas isto é ainda mais improvável do que ver Portugal vencer o Euro. Vamos ver se nos entendemos: a guerra e as desavenças estão cá desde sempre. Olhem para o Caim que matou o próprio irmão. Quando Deus criou o mundo deve tê-lo achado chato e, não havendo playstation ou cinema, acabou por criar tudo isto na vida real. Assim, quando se cansa da seca que deve ser o céu, dá uma olhadela pela Síria e diverte-se. Além disso a guerra é uma excelente forma de propaganda para os Estados Unidos, que estão sempre a ajudar os mais desfavorecidos, uma fonte inesgotável de notícias para os media e uma forma de nos manter activos nas redes sociais.

Vender o Pizzi por mais de 14 milhões

É a notícia que mais comentários gerou ontem (ou talvez não): o Benfica faz mais um excelente negócio com o Atlético de Madrid e compra o restante passe do Pizzi por 8 milhões de euros. Sim, 8 milhões de euros o que, no total, prefaz 14 milhões pelo passe completo. 14 milhões. O Atlético não sabe fazer negócio. Pizzi, Jimenez, Roberto, Reyes vieram todos do Vicente Calderon e para lá mandámos jogadores péssimos como o Simão e o Oblak. Obrigada estrutura!

Vencer a Eurovisão

É como ganhar o Euro: impossível. Não só por todas as condicionantes, mas acima de tudo porque este ano Portugal nem participa. Uma pena. Portugal até costuma levar músicas tão boas.

Ganhar o Euromilhões

Tu, que estás a ler isto, não vais ganhar o Euromilhões. É triste, mas verdade.A menos que num dia apostes em todas as combinações, mas aí o Euromilhões não ia servir de muito. 

Emprego para toda a gente

Se são como eu e "arranjar um emprego" faz parte da vossa lista de desejos, tenham calma. Eu preciso mais. Não sei exactamente porquê, mas preciso. Antes que me surjam mais ideias ridículas. Tal como a crise, também o desemprego veio para ficar. Felizmente há os cursos super úteis do IEFP que se podem ir fazendo para passar o tempo. 

Portugal trazer um monte de medalhas dos Jogos Olímpicos

Isto do desporto é sempre igual. Vamos com as expectativas que temos para o Euro. O Nelson Évora traz as três medalhas no triplo, a Telma Monteiro ganha este ano, o Rui Costa vai ensiná-los a andar de bicicleta, a selecção de sub-21 vai dar cabo deles, e afins. Vamos sempre com as esperanças todas. Entretanto as coisas começam a correr mal. É uma queda no ciclismo, é uma derrota injusta na primeira eliminatória do judo, são as quenianas que correm muito depressa, é a eliminatória do peso que é na hora de estar na cama e assim sucessivamente. Com sorte um desconhecido consegue um bronze a dar um tiro num alvo a não sei quantos metros de distância e é o herói nacional. Chegados cá, a comitiva queixa-se de falta de apoio. E é assim de 4 em 4 anos.

Acabar com a kizomba

É com muita pena (mesmo muita) que vos digo que os ritmos do Anselmo e dos primos todos veio para ficar. Pelo menos mais uns tempos. Mas se sobrevivemos ao kuduro, também havemos de ultrapassar isto. Podia ser pior. Imaginem que o Agir inventa um novo género musical que envolve o que quer que ele faça, kizomba e um remix do "Bacalhau quer alho"?

Fazer as pessoas perceberem que as páginas são 366

Já todos vós tiveram vontade de estrangular as pessoas que publicaram qualquer porcaria que incluísse "página 1 de 365", ou fui só eu? É que, além de isso ser parvo, é estúpido. Amigos, o ano é bissexto. O que é um ano bissexto? É aquele que tem 366. Epa editem essas imagens no paint. Não é preciso um curso.

Então tenham um bom ano!

"O meu negócio é melhor que o teu"; "Não, o meu é que é"

Benfica dezembro 30, 2015
Não se fala em mais nada. Já nem se fala de futebol. O que importa são os milhões que a NOS e a MEO pagaram pelos direitos de transmissão dos jogos de Benfica, Sporting e Porto. Primeiro apareceu o Benfica com 400 milhões. Chega e o Porto e bam 457 milhões. Vem o Bruno dizer que o Sporting não estava em saldos e no dia seguinte já se fala em 515 milhões. Se houvesse mais "grandes" em Portugal, continuávamos nisto infinitamente.

Qual foi o melhor negócio? Onde é que os adeptos vão ver os jogos? São as duas perguntas que mais se têm feito nos últimos dias. Na verdade não podia querer saber menos disto. Primeiro porque milhões não me servem para nada se o Benfica continuar a apresentar o futebol miservável com que nos tem presenteado. Segundo, porque os negócios não mudam nada quanto a canais onde ver a bola. A internet continua a existir para todos quantos são Inácio, como eu.

Mas, agora a sério, quem é que fez o melhor negócio? Parece ser unânime que foi o Benfica. Apesar de ter o valor mais baixo, o negócio com a NOS inclui apenas a BTV e os direitos de transmissão dos jogos do Benfica em casa. Já os outros dois negócios incluem publicidade estática nos estádios e patrocínios nas camisolas (patrocínios esses que o Benfica tem assegurados por 3 anos com a Emirates). Além disso o negócio do Benfica é por 3 anos com a opção de renovação até 10. Melhor do que ler as minhas explicações, é ver a tabela abaixo:


Então como é que um adepto Benfiquista que é assinante da MEO vai ver o Benfica? Há três opções: muda para a NOS, vai para o café ou passa a ser Inácio. Isto numa  perspectiva mais simplista. Numa versão mais séria parece haver duas opções:

A criação de um novo canal desportivo abrangido pelas duas operadoras (o que me parece bastante bem caso me ofereçam um emprego);

A compra de jogos por assinantes de outra operadora. Portanto o adepto Benfiquista assinante da MEO iria comprar os jogos que queria ver, um por um, como acontece noutras ligas.

Sucintamente parece ser isto. O Benfica joga mal, mas fez um bom negócio. Isso é que interessa. 

It's Christmas Time!

natal dezembro 24, 2015
Este texto foi escrito ontem porque a esta hora eu estou a fazer uma de quatro coisas:

Fazer doces/bolos;
Comprar aquele ingrediente que falta para o doce/bolo;
Embrulhar as últimas prendas;
Distribuir prendas.

Sim, porque o dia 24 é sempre uma correria. Sobretudo se o jantar for cá em casa (o que não acontece há algum tempo para bem das minhas costas e pernas).

De qualque das formas quero apenas desejar a quem quer que esteja a ler isto um feliz Natal cheio daquelas coisas fantásticas que as pessoas escrevem sempre nestes textos.

Joguei no Placard...

placard dezembro 23, 2015
... e ganhei.

Confesso que me sentia um bocado excluída da sociedade por nunca ter jogador no Placard. Finalmente tirei uns minutos da minha vida para entender o jogo e ganhei 2,5€. E não, o Placard não é complicado. E para quem nunca jogou: tratem disso porque ganhar é relativamente fácil. Claro que apostando pouco é impossível enriquecer, mas todos os cêntimos são bem vindos.


O Placard está dividido entre apostas simples e combinadas. Nas simples apostam determinado valor por cada jogo (se apostarem 2€ em três jogos terão de pagar 6€) e ganham por cada jogo (esses 2€ são multiplicados pelo valor da odd do clube em que apostaram). Nas combinadas apostam obrigatoriamente em mais que um jogo (podem apostar 1€ em oito jogos) mas só ganham se todos os jogos terminaram com o resultado que previram. É tão simples quanto isto.

Para vos dar o exemplo, eu apostei 1€ em três jogos e todos acabaram exactamente como eu previ (e não é preciso ser genial, porque era óbvio). Conclusão: vão jogar no Placard. No máximo perdem, mas a probabilidade de ganharem é bastante maior que no Euromilhões ou nas raspadinhas.

Letras com nota artística #6: "Last Christmas"

letras dezembro 19, 2015



Já há muito tempo que não me dedico à análise de letras de músicas. Mais por falta de paciência do que outra coisa. Tenho algumas em lista de espera, mas a parvoíce que vão demorar cinco minutos a ler, demora mais que isso a escrever. Sim, ser-se parva dá um trabalhão que não imaginam. Mas vamos então atentar na letra de uma das minhas canções de Natal preferidas: Last Christmas dos Wham!

"Last Christmas
I gave you my heart
But the very next day you gave it away.
This year
To save me from tears
I'll give it to someone special.
Last Christmas
I gave you my heart
But the very next day you gave it away.
This year
To save me from tears
I'll give it to someone special.

Once bitten and twice shy
I keep my distance
But you still catch my eye.
Tell me, baby,
Do you recognize me?
Well,
It's been a year,
It doesn't surprise me
(Merry Christmas)
I wrapped it up and sent it
With a note saying, "I love you,"
I meant it
Now I know what a fool I've been.
But if you kissed me now
I know you'd fool me again.

Last Christmas
I gave you my heart
But the very next day you gave it away.
This year
To save me from tears
I'll give it to someone special.
Last Christmas
I gave you my heart
But the very next day you gave it away.
This year
To save me from tears
I'll give it to someone special.

A crowded room,
Friends with tired eyes.
I'm hiding from you
And your soul of ice.
My god I thought you were someone to rely on.
Me? I guess I was a shoulder to cry on.
A face on a lover with a fire in his heart.
A man under cover but you tore me apart, ooh-hoo.
Now I've found a real love, you'll never fool me again.

Last Christmas
I gave you my heart
But the very next day you gave it away.
This year
To save me from tears
I'll give it to someone special.
Last Christmas
I gave you my heart
But the very next day you gave it away.
This year
To save me from tears
I'll give it to someone special.

A face on a lover with a fire in his heart (I gave you my heart)
A man under cover but you tore him apart
Maybe next year I'll give it to someone
I'll give it to someone special.
Special...
Someone..."

 A meu ver, há três maneiras de interpretar esta música e, por isso mesmo, vou focar-me apenas no refrão da mesma caso contrário era Natal e eu ainda estava a esmiuçar isto.

1. A óbvia. É a maneira como toda a gente interpreta a música: um desgosto amoroso. Logo nesta interpretação menos trabalhada vemos a estupidez que é esta letra. Portanto falamos de um indivíduo cujo amor foi rejeitado pela pessoa a quem "ofereceu" o seu coração. Até aqui tudo bem. Mas há uma solução para que o coração "oferecido" não fosse devolvido no dia seguinte: não enviar o talão de devolução/troca. O problema é quando o indivíduo diz que este ano vai "oferecer" o seu coração a alguém especial. Daqui deduzimos uma de duas coisas:

Que o indivíduo no Natal passado "ofereceu" o seu coração a alguém que não era especial e portanto é estúpido;

Que o indivíduo achava que estava a "oferecer" o seu coração a alguém especial no ano passado que depois provou que não o era e portanto é estúpido por achar que este ano consegue perceber exactamente quem é e quem não é especial.

2. A literal. É a que me vem de imediato à cabeça cada vez que oiço esta música. Se o indivíduo ofereceu o seu coração no ano passado, como é que o vai oferecer novamente este ano? Não é suposto uma pessoa falecer sem coração? Além disso, quem é que quer receber um órgão no Natal? Antes uma meias.

3. A verdadeira. Esta música fala de tráfico de órgãos (ou numa versão mais soft de transplantes), senão vejamos: um indivíduo precisa de um coração novo para viver e eis que o indivíduo da canção lhe oferece o dele (claro que primeiro tem de falecer). Transplantes de coração devem ser complicados e, portanto, no dia seguinte, o indivíduo que recebeu o coração rejeitou-o. Assim sendo, esse mesmo coração fica numa qualquer câmara frigorífica para que no ano seguinte possa ser doado a outra pessoa. Parece-me óbvio. 

A opinião sobre a opinião política dos portugueses

politiquisses novembro 13, 2015
Já venho um pouco tarde para falar sobre a queda do governo, não venho? As opiniões multiplicam-se pela internet e pelos cafés e é precisamente por isso que eu não venho dar a minha opinião sobre a queda do governo. Sobre isso já todos falaram e dificilmente eu iria conseguir acrescentar algo relevante a essa discussão (até porque grande parte daquilo que eu digo é completamente irrelevante). Assim sendo, venho dar a minha opinião sobre a opinião dos portugueses.

É difícil agradar ao povo português. Tão depressa chamam gatuno ao Passos Coelho, como uns dias depois lhe erguem um altar. Até ao dia em que o Presidente da República indigitou o governo, queriam todos untar o Primeiro Ministro e o Vice com cola super três, fazê-los rebolar em alcatrão acabadinho de fazer, mandar-lhes uns litros de gasolina para cima e acender um fósforo nas suas cabeças (que ficavam sem alcatrão para se poderem ouvir melhor os gritos de dor). Assim que se começou a falar em acordo à esquerda, já queriam todos erguer um novo santuário em Fátima às mesmas pessoas a quem desejavam uma morte dolorosa.

Entre o momento em que se insultavam com palavras menos bonitas os líderes do governo português e aquele em que estes são considerados os melhores governadores de sempre, passaram 11 dias. Paulo Portas demitiu-se "irrevogavelmente" a 2 de julho e foi nomeado vice a 24 de julho. Os portugueses fartaram-se de criticar mas Paulo Portas demorou o dobro do tempo destes a pensar se devia ou não voltar atrás com a sua palavra.

Se António Costa for indigitado Primeiro Ministro acredito que passados cinco dias e meio (para termos uma estatística por onde nos guiarmos para eventos futuros) os portugueses vão estender passadeiras vermelhas por todos os lugares onde o líder do PS passar. O povo português é mais difícil de satisfazer que uma criança bipolar. 

O que é que tem mais piada?

novembro 05, 2015
a) a capa da GQ deste mês

b) as publicidades do Paulo Futre


O dia do ano com maior stock de doces

novembro 01, 2015
1 de novembro é para muitos apenas mais um feriado que até há pouco tempo era celebrado. Também é assim para mim. Mas, quando era criança, 1 de novembro era um dos melhores dias do ano. Até aos meus 18 anos pensava que era assim para todas as crianças. Não podia estar mais enganada. Foi preciso ir estudar para a capital para perceber que o "dia do bolinho" não o era para toda a gente.

O que é o "dia do bolinho"? Basicamente era o dia em que saíamos à rua para pedir "bolinhos" às pessoas com um "ó tia dá bolinho, em louvor de todos os santinhos" ou, numa versão mais hard core "ó tia dá bolinho, com a cavaca no focinho". O funcionamento é simples, mas o planeamento nem tanto. Fazíamos quilómetros para percorrer o maior número de ruas possíveis. Chegámos a subir subidas (e depois também descíamos as descidas) enormes por quatro casas que nos davam chocolates (em duas eram sempre tabletes e numa outra um ovo kinder, portanto valia a pena).

Levantávamo-nos cedíssimo para conseguir percorrer todas as ruas a que nos tínhamos proposto no trajecto previamente definido (como se precisássemos de trajecto para lugares que conhecíamos tão bem) e, à hora de almoço, lá tínhamos uma hora para almoçar e despejar a quantidade de bolos que trazíamos na mala. O mais engraçado é que ninguém comia os bolinhos e estes pesavam toneladas durante os quilómetros que percorríamos. Mas não importava. O que importava era o convívio e os doces que trazíamos de casa. Recebi um pouco de tudo ao longo dos anos: bolinhos, rebuçados, tabletes de chocolates, bolachas, chocolates, castanhas e até dinheiro (e quando já sabíamos que a pessoa ia dar dinheiro, separavamo-nos em grupos mais pequenos para nos darem uma moedinha de maior valor).