15 coisas (com zero relevância) que aprendi na Grécia

viagem agosto 25, 2022

Eu? A ressacar de três semanas de férias em que duas e meia foram passadas no meu destino de sonho e o resto foi passado à espera que o incêndio que começou a uns metros de minha casa queimasse o pouco que faltava arder na freguesia? Não, que ideia. Estou extremamente contente de voltar ao trabalho. 

Ainda que esteja extremamente feliz com este regresso, parece-me altura de refletir sobre o que me ensinaram estes 19 dias no berço da democracia, dos jogos olímpicos, da filosofia e dos gajos que nos ganharam o Euro 2004. 


1. O código da estrada é diferente do nosso

Ou, pelo menos, parece. Não que eu me lembre de muito do nosso (tenho até bastantes certezas que chumbaria se fosse fazer o exame de código agora), mas o deles tem de ter ali umas falhas graves. Ora, o traço contínuo existente em tudo quando não é autoestrada não está lá a fazer nada. Aqui, significa que a ultrapassagem é proibida. Lá, é como se não existisse porque todos ultrapassam na mesma. Para melhorar, a ideia de ter apenas uma faixa um pouco mais larga é inexistente. Se a faixa é larga, transforma-se em duas, mesma que isso implique que o carro do lado tem de ir para a berma. Como é que sobrevivi a tantos quilómetros neste ambiente? Não sei, mas voltei para contar a história.

2. Come-se muito bem por muito pouco

Eu achava que ia pagar preços de Lisboa quando me deparo com contas de 10€ na maior cidade da maior ilha grega (com direito a sobremesa à borla) e com 7,5€ em plena capital. A juntar aos preços mínimos, a comida é maravilhosa e eu podia simplesmente viver com todos os pratos acompanhado de tzatziki o resto da vida.

3. Os gregos gostam demasiado da sua música e nós também temos de gostar

As rádios quase não passam música estrangeira e a publicidade é praticamente inexistente. Claro que também não variam muito na música que passam. Por esta altura, creio conseguir dar-vos o top 5 de músicas mais reproduzidas nas rádios gregas: esta, esta, esta, esta e esta. E quem diz rádios, diz lojas e restaurantes. Se eu ainda suporto alguma delas? Pouco.

4. Os franceses estão em todo o lado

Mas quanto em digo "todo o lado", é mesmo todo o lado. Eu estive em 12 cidades diferentes e em todas elas ouvi falar mais francês do que grego.

5. Pareço grega

Não sei se é dos ares do Mediterrâneo, mas começou a fazer parte do meu dia-a-dia, logo no primeiro destino, cumprimentar pessoas com um "kalimera", porque era assim que elas me cumprimentavam também. Perdi a conta à quantidade de vezes em que me disseram que parecia grega ou das vezes em que eu era cumprimentada em grego e as pessoas à minha frente/atrás de mim em inglês. Claro que isto foi extremamente inútil quando cheguei a Creta à 1 da manhã e me calhou um taxista que não percebia nada de inglês. Aí, ser grega teria sido útil.

6. Gosto de praia

Sim, eu sei que estou a contrariar algo que disse a todas as pessoas que conheci melhor ou pior durante toda a minha vida, mas, em minha defesa, só tinha experimentado praias portuguesas. Ora, uma praia com água azul turquesa digna de filtros de instagram, com pedras em vez de areia que não se colam a todo o nosso corpo nem sujam o carro, sem ondas, com água quente e com uma quantidade mínima de pessoas? Grande fã. Portanto, continuem a não me convidar para ir à praia, a menos que seja na Grécia.


7. Não odeio café

No seguimento do ponto acima, fiz outra grande descoberta sobre mim mesma. Café não é horrível. Se for café grego e tiver gelo misturado. Não que seja ótimo, mas é bebível, ao contrário da água suja que se vende neste país.

8. Os gatos de rua são mais gordos que a minha gata

Em parte porque a minha gata gosta mais de dormir do que de comer (não a condeno), mas também porque os gatos que encontramos em todo o lado (creio que, ainda assim, em menor número que os franceses) são muito gordos. Os gregos podem passar fome, mas os gatos têm comida e bebida em todos os cantos.


9. Há muito maus olhado na Grécia

Qualquer loja de lembranças em qualquer canto da Grécia está repleta de porta-chaves, ímanes e tudo o que se possa imaginar com o símbolo azul do mau olhado. 

10. "Feliz aniversário" serve para tudo

Era dia 15 de agosto, feriado também na Grécia, quando entrei num mini mercado na ilha de Aegina. Preste a pagar, a senhora diz-me o valor, eu pago e ela despede-se com um "chronia pola". Eu sei, dos meus duros anos de duolingo, que esta expressão é usada para desejar feliz aniversário. Saí de lá a questionar-me se fazia anos em agosto ou em janeiro, mas rapidamente o google me disse que esta expressão serve para aniversários, feriados e outras tantas datas comemorativas, como se isso fizesse algum tipo de sentido.

11. Fecha tudo ao domingo

E claro que eu percebi isto da pior forma, quando precisava mesmo de um Lidl aberto. Eu pensava que ia para um país de terceiro mundo como o nosso e eis que percebo que as pessoas que trabalham em lojas têm o domingo de folga. Onde é que isto já se viu.

12. Os transportes públicos funcionam

Como devem calcular, planear uma viagem que passa por várias cidades e ilhas implica ler coisas que outras pessoas escreveram. Li muito sobre o não funcionamento dos transportes públicos na Grécia. Isto é gente que nunca chegou à estação de comboio e tem a linha cortada por causa de um incêndio que está longe da linha (sim, aconteceu-me domingo passado). É gente que nunca usou a CP nem a Carris. E não são só os transportes que funcionam (e a horas), os painéis que anunciam quanto tempo falta para os autocarros também funcionam. Imaginem sermos tão evoluídos.

13. Atenas não é suja

Também li em muitos sítios que Atenas era uma cidade feia, com muitos rabiscos e suja. Eu trabalhei ao lado da rua cor de rosa durante um ano e meio. Isso sim, é sujo, feio e mal cheiroso. Nunca saí de manhã de casa em Atenas com os pés a colar ao chão e a sensação de que o passeio tinha sido vomitado por toda a cidade na noite anterior.


14. Os gregos têm problemas com futebol e basquet

Quem sou eu, portadora de redpass na época 2019/20, para falar sobre isto? Ninguém, mas eu pelo menos apoio uma equipa do meu país. Se há uma televisão num bar ou restaurante na Grécia, vai estar a dar futebol estrangeiro ou basquet nacional. Se há uma loja, vai ter t-shirts de jogadores de futebol internacionais ou de jogadores de basquet (se são nacionais ou internacionais já não sei, que não é a minha especialidade).

15. Passadeiras são sobrevalorizadas

E, por isso mesmo, mais vale poupar o dinheiro que se ia gastar em tinta e não as fazer. As pessoas passam no meio da estrada e os carros param e nem reclamam. Ajuda muito o facto de as ruas serem praticamente todas de sentido único em Atenas.

A cordialidade do foda-se

língua portuguesa julho 14, 2022

No outro dia aconteceu-me uma coisa que costuma suceder muito: vi escrito, numa qualquer rede social, a palavra "fodasse". Já há uns anos que deixou de me chamar a atenção, mas foi escrita por uma pessoa com muitos anos de estudos. Hoje em dia, todos temos muitos anos de estudo, mas esta pessoa tem demasiados.

Ora, isto não prova que a pessoa não sabe escrever. Prova, sim, que há uma falha grave no nosso ensino, que foi identificada, em 2016, pelo Ricardo Araújo Pereira e em relação à qual ninguém faz nada. Talvez ter estado a tirar um curso de revisão de texto me tenha alertado para questões linguísticas e gramaticais nas quais não pensava até há um mês. 

Desde que vi isto que tenho pensado bastante sobre o assunto. Não propriamente sobre o erro, mas sobre a sua correção e respetivo significado. Primeiro, importa referir que "fodasse" não existe. Nem tão pouco pode ser o imperfeito do conjuntivo do verbo "fodar" por este, ao contrário de "foder", não está dicionarizado. 

Na origem deste erro está um epidemia que afeta mais portugueses do que o covid (sendo que só eu e mais meia dúzia de pessoas é que ainda não apanhámos covid): a confusão entre o presente reflexo e o imperfeito do conjuntivo. O segredo? Se conseguirem por "se" antes da palavra, não a hifenizem. De nada.

Mas passemos então ao assunto que tem ocupado o meu cérebro: o foda-se. Foda-se está no dicionário como sendo uma interjeição designativa de admiração, surpresa, indignação, desagrado, indiferença, raiva etc. Mas imaginemos que o verbo "fodar", previamente referido, existia. Foda-se seria, assim, uma forma do imperativo do verbo. 

No fundo, soltar um foda-se, é mandar foder (ou "fodar"?) alguém. Mas não é mandar foder alguém de qualquer maneira, que nós somos mal-educados, mas sempre cordiais. Selvagens dizem "fode-te". Nós, que somos pessoas civilizadas, dizemos foda-se, onde o "se" se refere a você, que é preciso manter alguma distância de quem mandamos foder-se (ou fodar-se?). 

Tinha escrito este texto inicialmente para o Ciberdúvidas, mas depois repensei e achei melhor não o enviar para o coordenador. Não por estar repleto de asneiras, mas antes por ter procurado fontes que comprovassem o que aqui escrevi e não ter encontrado nenhuma. No fundo, alguém tem de levantar as grandes questões para que depois outros as estude. De nada, sociedade.

Coisas que me fizeram perceber que estou velha

maio 03, 2022

Eu sei, a maioria das pessoas que está a ler isto (maioria, leia-se, três) está a pensar "mas tu não estás velha". Certo, e a verdade é que ir trabalhar todos os dias me ajuda a acreditar nisso porque continuo, ocasionalmente, a ser confundida com os estudantes, mas a verdade é que eu estou quase nos trinta e em crise de meia idade pelo menos desde os 25. Porquê? Por isto.

O uso de quase mesmo agora

Dizer "quase" quando ainda tenho mais de oito meses até aos trinta é capaz de ser sinónimo de envelhecimento. É que este é o tipo de linguagem que a minha mãe usa: "olha que já são quase duas tarde", para me acordar ao fim de semana; "tens quase trinta anos e ainda não *inserir todas as coisas que são esperadas de pessoas quase nos trinta*", que oiço desde os 25.

Julgar os gostos dos mais novos

A expressão "no meu tempo" nunca fez tanto sentido como agora. Porque no meu tempo é que se ouvia música boa (a ver se agora há uma banda moldava no top nacional?), no meu tempo é que se comia bem, no meu tempo é que as crianças tinham uma boa infância. Ou, em alternativa (que é, geralmente, o que significa o "ou"), faço uso de "esta geração", normalmente para fins depreciativos porque, convenhamos, a geração seguinte é sempre pior que a anterior. 

Concertos? Sim, mas sentada

Eu adoro ir a concertos. A minha mãe diz que é das poucas coisas em que gasto dinheiro. Eu diria que é das poucas em que não me importo de o gastar. Mas de há uns anos para cá (sobretudo depois de três horas no coliseu de Lisboa a ver o David Fonseca) que aprendi a minha lição e opto por bilhetes para lugares sentados, a menos que não faça sentido. Mas eu sou uma pessoa da música deprimente, por isso, faz sempre sentido.

Não consigo fazer noitadas 

Hoje em dia, são onze da noite e eu estou a morrer. A menos que seja domingo. Aí, o meu cérebro acha por bem ficar acordado até altas horas da madrugada para garantir que eu apareço com a pior cara possível no trabalho à segunda-feira. 

Preciso de descansar 

Quem me conhece diria que isto não é da idade, mas antes um problema genético. Não estão enganados, mas a idade deixou-me (ainda) mais cansada. Lembro-me de uma vez em que a banda onde estava (não perguntem, a sério) tinha atuação no domingo de Páscoa. Fui, cheguei a casa depois das duas da manhã, às sete estava a apanhar o comboio para Lisboa, fiz oito horas de trabalho e, depois disso, ainda fui à Luz ver o Benfica. Escusado será dizer que não voltei a repetir.

Cabelos brancos

A quantidade de pessoas da minha idade que me diz que ainda não tem cabelos brancos é irritantemente grande. É que eu vi o primeiro com 18 e, nos 11 anos que se passaram desde aí, tenho vindo a comprovar que arrancar um dá origem a sete novos. Se vou continuar a arrancar? Claro, até que não haja outro remédio senão pintar. 

Bebés e casamentos

Eu sou a favor de casamentos, sobretudo se não tiver de conduzir depois deles, mas ter as redes sociais repletas deles e de bebés tornou-se a novo normal de há quatro anos para cá. Eu continuo sem entender o casamento ou a paternidade antes dos trinta (ou depois, vá).

Esqueço-me da minha idade

Quantas vezes é que alguém me pergunta a idade e eu tenho de fazer contas mentais para não me enganar? Ora, nasci em 1993, noves fora nada, portanto tenho 29. 

Vinho

Eu passei anos a não entender o fascínio do vinho, até o achava nojento. Agora acho ridículo ir jantar fora e pedir outra coisa que não isso. Espero que, eventualmente, me aconteça o mesmo com a cerveja, porque me ficava muito mais barato.

10 coisas que aprendi em França

viagem outubro 12, 2021

Os mais atentos às minhas redes sociais (ou seja, as pessoas muito desocupadas) terão reparado que estive em Toulouse na semana passada. Já estive em mais locais em França? Não. Vou generalizar o que se passou numa cidade para um país inteiro? Certamente.


1. A água não se paga nos restaurantes

E eu, que adoro água e era a única coisa que queria beber a fazer 15km por dia, fiquei bastante feliz por perceber isto. Dizem-me que em países evoluídos isto acontece. Ora, eu nunca tinha estado num país evoluído. Dizem-me também que, provavelmente, bebi água da torneira. É o que bebo em Portugal e foi o que bebi na Polónia. Se sobrevivi a essa água, sobrevivo a toda, sobretudo se for grátis.

2. As casas de banho públicas são lavadas e têm papel

Não sei se também é de país evoluído, mas, com tanta água grátis ao almoço, precisei de entrar em algumas casas de banho públicas (daquelas que há na rua, não nas de shopping, por exemplo). Além de gratuitas, estavam lavadas, com papel, sabonete e os secadores de mãos até funcionavam.

3. As ruas são lavadas todas as manhãs

Imaginam-se a chegar ao Cais do Sodré a uma sexta-feira de manhã e não ter os vossos pés a colar ao chão a cada passo? Sei bem que não, que eu trabalhei ao lado da rua cor-de-rosa um ano e meio e sei como é. Pois bem, em Toulouse, as ruas são limpas de manhã.

4. As bicicletas e as pessoas têm prioridade sobre os carros

Se eu ia sendo atropelada por várias bicicletas? Sim. Não tinha noção do quanto as bicicletas eram populares em França (generalização? Não, nunca), mas são. E têm prioridade em todo o lado. E nós, meros peões, também temos. Basta atravessar a rua e ninguém vai sequer apitar. Em Lisboa até na passadeira temos de esperar que alguém nos deixe passar.

5. Ninguém se vai esforçar para falar inglês

Não percebes francês? Percebes, percebes. Ou, melhor, tens de perceber, porque ninguém te vai responder em inglês. A lógica deles é complexa para o meu entendimento: eles falam em francês, tu dizes "I don't speak French" e eles repetem a mesma coisa em francês como se, dizendo uma segunda vez, tu ficasses subitamente fluente. 

6. Os revisores do comboio usam boina

Sim, o cliché é real, mas só para revisores de comboio, segundo me pareceu, tendo em conta não ter visto absolutamente mais ninguém com uma boina.

7. Os bilhetes de comboio são baratíssimos

Na verdade, já vi várias pessoas a dizer exatamente o oposto, mas eu comprei bilhetes a 1€, por isso falo por experiência própria quando digo que, visitar cidades à volta de Toulouse é muito barato e, na medida dos possíveis, até bastante confortável.

8. Não há lojas de lembranças

Pelo menos em Toulouse. Uma pessoa quer ser turista e não a deixam. Não há um íman para o frigorífico, uma caneca com o rio Garona ou uma camisola a dizer "I 💗 Toulouse" (e ainda bem, porque quem é que a ia comprar?).

9. Não há sacos para venda nos supermercados

Aprendi isto da pior forma, entrando num Lidl a 1km do Airbnb e saindo com as compras numa caixa de cartão que a senhora da caixa me disse, em francês, claro, que podia levar. Não foi uma viagem agradável e escusado será dizer que não voltei ao supermercado.

10. Não aprendi mais nada

Mas isto com número redondo fica mais bonito.

Reviews realmente relevantes #2 - Monte dos Vendavais

livros março 01, 2021

 "Ah, mas isto agora é um blogue literário?". Não, isto é um blogue do que eu quiser porque ninguém me paga para nada e, portanto, limitem-se a ficar felizes por eu estar de volta depois de mais de dois meses sem aparecer. Importa desde já referir que eu não sou grande leitora, portanto não esperem muitos destes textos por aqui. Estou só a tentar a parceria com a Wook, na verdade.



Acabei, ontem mesmo, "O Monte dos Vendavais" da Emily Brontë. Demorei cerca de duas semanas que se assemelharam a dois anos. Não me dignei a ler um resumo antes de pegar no livro porque toda a gente se refere a ele como um romance épico. Vim a constatar que toda a gente está enganada.

"O Monte dos Vendavais" é, na verdade, uma tragédia épica que nasce de um romance que dura apenas metade do livro e nunca chega sequer a concretizar-se. O personagem principal é tipo odioso e a história é contada pela empregada de uma propriedade vizinha daquela onde ele vive ao novo inquilino. Mas é contada com um detalhe tremendo com pormenores que nem o próprio personagem principal se lembraria.

Em jeito de resumo: esta é a história sobre a empregada mais cusca de sempre.

E então, convenci-vos a ler o livro? Não? Eu também não teria lido se lesse essa descrição. Ou outra, na verdade. 

Interessados em comprar? Façam o favor de o fazer na Bertrand ou na Wook (não julguem que tenho parcerias, eles é que aprovam qualquer um no programa de afiliados e sim, selecionei os livros com preço mais baixo disponíveis).

Blogal #24 - Música de natal

blogal dezembro 24, 2020

Isto não estava previsto. Na verdade isto foi tão imprevisto que tive de fazer tudo à pressa, não só pela falta de tempo, mas também porque o meu computador foi para arranjar. Desta forma, não me vou alongar neste texto.

Quero deixar um forte agradecimento ao Canva, pelas imagens, e ao After Effects e pessoas que fazem tutoriais do mesmo. Sem vocês, nada disto teria sido possível. Digo-vos também que a ideia original era pegar na música da Mariah Carey e fazer um "All I don't want for Christmas is covid", mas não queria rebentar os tímpanos dos meus vizinhos.

Assim sendo, peguei em "Winter Wonderland" e arranjei demasiadas rimas para covid (e sabem lá o difícil que isto é). Aproveitem e feliz natal!

 

Blogal #23 - Review do meu calendário do advento

blogal dezembro 23, 2020
Meus queridos, preparados para a melhor review que alguma vez viram na internet?

Este ano, como sou uma pessoa que gosta de mudanças e de arriscar, optei por um calendário do advento que é, veja-se bem, um calendário do advento.

Há quem opte por calendários do advento que não são calendários do advento. Aqueles onde as marcas enfiam os produtos que ninguém quer durante o resto do ano em versão miniatura e que copiam a ideia original destes. 

Eu não. Eu sou uma pessoa ligada às suas raízes e, por isso, comprei um calendário do advento de chocolates.


Comprei no Continente (que é a marca que eu mais gostava que me patrocinasse porque sou grande consumidora) em promoção. Havia vários designs, mas optei por este. Os designs são os mesmos todos os anos. Por acaso nunca tinha comprado este.

Ora, isto custou 1 euros e 49 cêntimos e, portanto, acho um pouco escusado falar da falta de qualidade do chocolate em si. Mas, se eu quiser chocolate de qualidade, deixo 10 euros por uma caixa com 2 Lindts. 

Assim sendo, tendo em conta a relação qualidade-preço, os calendários rasca do Continente são bonzinhos e têm os desenhos bem feitos no chocolate, ao contrário de muitos. Se quiserem comprar igual, tenho a certeza que conseguirão arranjar ainda mais barato nesta altura. De nada.

Blogal #22 - Os brinquedos que eu sempre quis e nunca recebi

blogal dezembro 22, 2020


Este é um texto para os meus pais, que nunca o irão ler. Há 3 brinquedos em particular que eu sempre quis e nunca me deram. Pedia-o ao Pai Natal todos os anos e recebia sempre outra coisa qualquer.

O Mauzão. Toda a gente quis o Mauzão, certo? Nunca o tive, nem tão pouco conheci alguém que o tivesse. Nunca joguei. Até hoje. É um trauma.

Uma banca de supermercado. Sabem, ainda hoje isto é assunto cá em casa ocasionalmente. A minha mãe sabe que me deve este presente. 

Uma boneca Sissi do vestido azul. Eu tive uma boneca desta gama. Pedi-a no natal. A minha mãe achou que a do vestido azul era feia, então decidiu comprar-me a do vestido verde. Está na caixa ainda hoje.

Blogal #21 - Os melhores anúncios de natal

blogal dezembro 21, 2020

Muitos têm tendência a afirmar que os anúncios da coca-cola são os melhores do natal. Não há nada mais errado. Os melhores anúncios de natal são os dos brinquedos dos anos 90/2000. Enquanto criança, a melhor parte do meu ano era ver anúncios na televisão na época do natal. Com isto fiquei também com muitos desgostos porque acaba a pedir brinquedos que nunca recebi.

Venham comigo nesta viagem, que infelizmente não está completa por haver muitos destes anúncios que não estão no youtube.

Mauzão


Caça à Toupeira


Teddy Babies


Carlota Cambalhota



Pirulipipi


Sabem o que é falta aqui? Muita coisa, é certo, mas, acima de tudo, aquele da quinta do Pinypon. "Águinha para as vacas, todos a beber. Na quinta do Pinypon, isto é que é bom".

Mãe, pai, obrigada por nunca me terem oferecido o Mauzão, sim?

Blogal #20 - Carta à minha tia

blogal dezembro 20, 2020

 


Tia,

Sei que não vais estar a ler isto porque só usas a internet para ir ao facebook partilhar receitas que nunca vais fazer ou orações. Ainda assim, escrevo-te para todo o mundo saber a falta que me vai fazer o teu pijama.

Fui procurar, no site dos recordes do Guiness, qual o recorde atual para "número de anos seguidos a oferecer pijamas no natal". Não há informação, o que me faz crer que o recorde ainda não foi estabelecido. Aconselho-te a formalizares o mesmo. Se quiseres, posso tratar disso.

Na verdade, esperava que este natal fosse o décimo em que olhava para o embrulho e sabia já previamente que era um pijama. Infelizmente, o covid tirou-nos esse momento maravilhoso. Esse momento que vivemos há já nove anos consecutivos e que teremos de interromper em 2020. 

Não te preocupes, não vou passar frio à noite por falta do pijama de 2020. Ainda tenho o de 2019 e 2018 arrumados e pronto a serem estreados. Não tenho a certeza se, à semelhança de tantos outros, são também eles o L ou XL, ou se foste moderada nesses dois anos e optaste pelo M, como tínhamos falado. De todas as formas, ainda bem que foste tratando deste stock.

Para o ano, se tudo isto acalmar, podes então oferecer-me o décimo pijama. Se desta vez puder ser um de meia estação, agradeço imenso, na medida em que, como já disse, tenho um stock de pijamas de inverno.

Sem outro assunto de momento, desejo-te um feliz natal,

A tua sobrinha Jessica.

Blogal #19 - Receita de chocolate quente

blogal dezembro 19, 2020

 


Tiveram oportunidade de ler a minha receita super festiva do dia de ontem? Sim? Hoje tinha pensado trazer-vos uma outra receita festiva, mas sabem o que é que eu percebi em testes para ela? Que todos os chocolates quentes são iguais. Que nenhum fica como no youtube. Que mais vale aquecer leite e espetar-lhe nesquik. 

Se tiverem alguma receita que fique verdadeiramente boa, avisem.

Blogal #18 - A minha melhor receita festiva

blogal dezembro 18, 2020

Achavam que eu ia passar esta época sem vos dar uma receita super festiva? Estão certos. Na verdade esta receita nada tem a ver com o natal. Isto acontece porque eu não gosto de doces de natal. Assim, todos os anos tenho por hábito fazer mousse de chocolate caseira.

É essa a receita que vos trago. Mais ou menos, porque a receita que eu uso está num livro da minha mãe a que não tenho acesso de momento e, portanto, vai de memória (que é fraca). 

Comecem por colocar num recipiente 50 gramas de manteiga e 5 colheres de açúcar (se acharem, no final, que é pouco, metam mais, que eu não tenho a certeza das quantidades). Misturem. Vai ser infernal misturar açúcar com manteiga? Vai. Na verdade não entendo como em que pelas internets fazem o processo parecer tão simples. Não o é. Longe disso até.

Depois disso, separem as gemas das claras (sim, eu sei, este passo faz-me desistir de muita coisa, mas aqui vale a pena) e coloquem as gemas na mistura e voltem a misturar. Reza a lenda que é suposto ficar um creme meio branco. Não é. Vão na fé se ficar amarelo.

Derretam uma tablete de chocolate (pantagruel, preferencialmente - ninguém me pagou, mas é efetivamente a que resulta melhor). Em todas as receitas vão ver a palavra "banho-maria". Muito trabalho. Derretam num tacho normal só. Eventualmente vão perceber que não conseguem derreter totalmente por não estar em banho maria. Fazem uma de duas coisas: juntam leite ou deixam assim. Eu opto por deixar assim porque depois vão aparecer pequenos pedaços de chocolate na mousse e esse é o segredo da minha receita. No fundo, ser preguiçosa melhorou a minha mousse.

Por fim, juntem o chocolate à mistura e as claras batidas em castelo e tchanan. Esta e outras receitas incrível no meu blogue culinário ainda inexistente.

Blogal #17 - As melhores músicas de natal

blogal dezembro 17, 2020

Tinha escrito somente uma frase para este dia, que era a seguinte:

"Todas as do Michael Bublé"

Ora, no passado dia 20 de novembro, o Jamie Cullum lançou um álbum de natal, portanto, permitam-me a correção:

"Todas as do Michael Bublé e do Jamie Cullum"

Blogal #16 - Letras com nota artística #12: Baby it's cold outside

blogal dezembro 16, 2020

 


Sabem o que é que é super popular neste blogue e eu não faço há muito tempo? Bem, talvez super popular seja um exagero, mas, em comparação, é efetivamente uma rubrica popular. Já é tradição eu vir cá esmiuçar músicas de natal. Já o fiz com "All i want for christmas", com "Santa Claus is coming to town" e com "Last Christmas". Este ano é a vez de "Baby, it's cold outside".

"I really can't stay (Baby, it's cold outside)
I've got to go way (Baby, it's cold outside)
The evening has been (I've been hopin' that you'd drop in)
So very nice (I'll hold your hand, they're just like ice)

My mother will start to worry (Hey beautiful, what's your hurry)
And father will be pacing the floor (Listen to that fireplace roar)
So really, I'd better scurry (Beautiful, please don't hurry)
Well, maybe just a half a drink more (Put some music on while I pour)

The neighbors might think (Baby, it's bad out there)
Say, what's in this drink (No cabs to be had out there)
I wish I knew how (Your eyes are like starlight now)
To break this spell (I'll take your hat, your hair looks swell)

I oughtta say no, no, no sir (You mind if I move in closer)
At least I'm gonna say that I tried (And what's the sense in hurting my pride)
I really cant stay (Oh baby, don't hold out)
Oh, but it's cold outside

I simply must go (It's cold outside)
The answer is no (Baby, it's cold outside)
The welcome has been (So lucky that you dropped in)
So nice and warm (Look out the window at that storm)

My sister will be suspicious (Your lips look delicious)
My brother will be there at the door (I ain't worried about you brother)
My maiden aunts mind is vicious (gosh your lips are delicious)
Well maybe just a cigarette more (never such a blizzard before)

I've got to get home (Baby, you'll freeze out there)
Say, lend me a coat (It's up to your knees out there)
You've really been grand (I thrill when you touch my hand)
Oh, but don't you see (How can you do this thing to me)

There's bound to be talk tomorrow (Well, think of my lifelong sorrow)
At least there will be plenty implied (If you caught pneumonia and died)
I really cant stay (Get over that hold out)
Oh, but baby its cold outside"

Sabem quantas versões existem disto? Muitas. Sabem quantas delas fizeram alterações na letra? Eu também não, porque tenho mais que fazer do que verificar factos inúteis. Todos nós percebemos o assédio sexual implícito nesta música, certo? Sim. Tanto que a mesma está farta de ser censurada. 

Mas a minha parte preferida de tudo isto nem é o facto de, olhando para ela décadas mais tarde, conseguirmos imaginar coisas que provavelmente ninguém imaginou quando a música foi lançada. O que eu gosto é da justificação. "Está frio lá fora". Eu imagino a minha cama a dizer-me isto às 7:50 da manhã, quando o despertador toca e eu tenho de ir trabalhar. O problema é que a cama não me droga para eu ficar com ela. E é uma pena, apesar de dar uma justificação muito má.

Gostava de ter uma sequela desta canção. O que é terá acontecido a seguir? Ele violou-a? Ela fez queixa? Sobreviveu sequer? Quanto tempo terão demorado a mãe e o irmão a dar pela falta dela? São perguntas para as quais, infelizmente, nunca teremos resposta.

Blogal #15 - Lista inútil de presentes

blogal dezembro 15, 2020

 


Ainda indecisos sobre o que comprar para aquela pessoa que não conhecem bem, mas a quem têm de dar presentes na mesma? Não se preocupem porque aqui vão encontrar todas as sugestões básicas que podem encontrar em todos os outros blogues, sites ou canais de youtube. Não precisam de agradecer.

1. Pijamas

Toda a gente precisa, não é verdade? Vão às 5 da manhã para a porta do Colombo para conseguirem entrar na Primark antes das 3 da tarde e procurem o melhor pijama polar que se vai estragar um ano depois para poderem ter prenda já para o ano seguinte.

2. Velas

É para uma mulher? Não se preocupem, uma vela resolve sempre o problema. A menos que ela seja como eu e não use velas para absolutamente nada.

3. Cachecol

Sabem quantos cachecóis eu tenho que me ofereceram? Demasiados. Sabem quantos desses oferecidos eu uso? Um. Porquê? Porque os outros são todos medonhos. 

4. Canecas

Sabem quantas canecas comprei na vida? Nenhuma. Pudessem todas as pessoas ser como eu e o mundo era melhor. Ajudem a contribuir para um mundo melhor.

5. Chocolates

Ferrero são a ÚNICA escolha totalmente segura nesta altura do ano. Não inventem. Não se ponham a comprar Raffaelos (nojento), After Eight (nojento) ou Lindt (maravilhoso, mas há quem diga, estupidamente, que são "muito doces"). Mantenham-se no que funciona.

6. Acessórios

Brincos ou colares funcionam bem. Sabem qual é o problema? É a pessoa nem sequer usar brincos ou colares. Ou os brincos ou colares serem da Primark e ficarem verdes depois da primeira utilização.

7. Produtos de banho

De todos, este é o meu preferido. Ainda tenho um creme de mãos do ano passado e andei a usar gel de banho do natal até junho. 

8. Mantas

Sabem, as mantas são caras. Pelo menos aquelas que medem mais que um metro. Não ofereçam mantas mais pequenas que as pessoas.

9. Meias/pantufas

Ver ponto 1.

10. Perfume

A menos que saibam exatamente qual o perfume que a pessoa usa (e isso implica um nível de conhecimento grande), não se metam nisso. A probabilidade de a pessoa odiar o cheiro é mais alta que a probabilidade de a defesa do Benfica sofrer 2 ou mais golos num jogo.

Blogal #14 - As piores ideias da internet para blogmas

blogal dezembro 14, 2020

Entrar nesta aventura de fazer 24 posts em dezembro relacionados com o natal não foi uma decisão fácil. Ou melhor, até foi, porque eu desisto quando quiser. Na verdade posso desistir já amanhã porque, olhando para o planeamento que fiz ainda em dezembro, há muitas ideias que não consigo desenvolver.

Dito isto, a minha pesquisa foi extensa. Vi vários outros blogues que fazem e dão ideias para o chamado blogmas. Sucede que as ideias que tirei dos mesmos são exatamente nenhumas porque, além de darem todos as mesmas ideias, são ideias péssimas. Fiz questão de anotar algumas para as esmiuçar de seguida.

1. Unhas de natal

Vamos pensar sobre isto. Quantas raparigas conhecem vocês que façam unhas relacionadas com o natal? Porque eu não conheço nenhuma e, se por acaso tivesse o azar de conhecer, faria questão de não lhe falar.

2. Receitas de natal saudáveis

Tudo errado. O natal é precisamente a única época do ano em que ninguém deve comer ou preocupar-se em comer de maneira saudável. Imaginem só arruinar o natal com um abacate na salada a acompanhar um bocado de bacalhau cozido.

3. Guia de presentes para pais

É impossível. E por ser impossível, toda a gente faz exatamente a mesma lista. Eu sei porque já procurei várias no google e a utilidade delas foi a mesmas dos blogmas.

4. Como embrulhar presentes

É tudo para rasgar. 

5. O que fazer com os restos do jantar de natal

Estupidez. A resposta é simples: andar a comê-los até janeiro. Deviam era dar dicas para não deixar restos, isso sim era um blogmas útil e que eu mesma faria se soubesse como.

Blogal #13 - Tag de natal

blogal dezembro 13, 2020


Sabem, na verdade a minha primeira ideia era fazer uma auto-entrevista natalícia, mas achei que estava a exagerar depois da original e da versão covid (que, modéstia à parte, são das melhores entrevistas que já li na internet). Assim sendo, fui ao google e escrevi "christmas tag blog". Abri o primeiro site, copiei, colei, traduzi e respondi. É mais desinteressante que as auto-entrevistas na medida em que não fui eu que fiz as entrevistas, mas cá vai.

Qual o teu filme de natal preferido?

Pergunta interessante tendo em conta os textos que escrevi anteriormente. Sinto-me bastante conhecedora do tema e, por isso, habilitada para falar no mesmo. Curiosamente, não é nenhum dos que vi este ano. O meu preferido - e o único aceitável como resposta a esta questão - é o Love Actually.

Já tiveste um natal com neve?

Não, porque ao contrário do que acontece sempre nos filmes de natal, eu não tenho a sorte de viver num sítio totalmente inventado onde neva no inverno.

Onde costumas passar esta época?

Vou a casa. Se puder ter férias, faço questão. 

Qual a tua música de natal preferida?

Qualquer uma que eu oiça por iniciativa própria e não porque entrei num centro comercial e fui obrigada porque a noção de decibéis aceitáveis para o tímpano humano é diferente nestes locais.

Abres os presentes na noite de natal?

Abro os presentes quando mos dão porque sou uma criança que não consegue esperar para ver a cor do pijama.

Consegues nomear todas as renas do pai natal?

Eu já nem consigo nomear todos os jogadores do Benfica que envergaram a braçadeira esta época, como querem que saiba o nome das renas do pai natal?

Quais as tradições natalícias para as quais estás ansiosa este ano? 

Aquela muito gira de não passar o natal em família e de ir distribuir presentes de máscara. Mal posso esperar.

A tua árvore de natal é falsa ou verdadeira? 

Que perguntas interessantes propiciadoras de respostas igualmente interessantes. Falsa.


Qual a tua comida/doce de natal preferido? 

Nenhuma? Eu faço questão de fazer mousse para a noite de natal. Conta?

Sê honesta: preferes dar ou receber presentes?

Depende. Prefiro dar a uma pessoa que conheço bem a receber de uma pessoa que não me conhece bem e vice-versa. 

Qual o melhor presente de natal que recebeste? 

Não vos sei dizer, mas sei qual o melhor que nunca recebi: a mercearia que pedia aos meus pais TODOS OS ANOS. Não sei se as maiúsculas refletem bem todo o meu desagrado para com esta situação. Perdoem-me, desagrado não é a palavra correta, mas podem imaginar qual é.

Qual seria o teu local de sonho para visitar nesta época do ano?

Uma das cidades inventadas nos filmes de natal que vi.

És pró a embrulhar presentes ou não? 

Perdoem-me, não sabia que estas questões iam ser tão desinteressantes. 

Qual foi o momento mais memorável de um natal? 

Na primária. Fazia-se uma festarola que incluía todas as escolas primárias da freguesia em que o pai natal distribuía presentes por todos os alunos. As minhas colegas recebiam barbies (ou imitações, vá). Quando chegou a minha vez, desembrulhei um diário (ou um caderno, vá) e disse, alto para todos ouvirem: "para que é que eu quero esta merda?". Não me lembro, mas a minha mãe conta esta história muitas vezes tamanha foi a vergonha.

O que te fez perceber a verdade sobre o pai natal?

Não quero dizer que sempre soube, mas acho que sempre soube. 

O que torna esta época especial para ti? 

O subsídio de natal. 

Blogal #12 - Coisas que acontecem sempre nos filmes de natal

blogal dezembro 12, 2020

"Ah, mas ainda estás a falar de filmes de natal?", Sim, estou. Tentem lá arranjar conteúdo para 24 textos sobre o natal e depois falamos sobre isso.

Decorrente do grande êxito deste blogue, coisas que só acontecem nos filmes, trago-vos hoje coisas que acontecem sempre nos filmes de natal (porque eles são todos iguais). Se estão à procura de filmes para ver nesta época e perderam os últimos blogais, façam favor

1. Os opostos atraem-se mesmo

Conhecem alguma casal com pouco ou nada em comum? Não, pois não? Ter interesses em comum é, à partida, a parte mais importante para conseguirmos manter um relacionamento seja com quem for. Diz o ditado popular que os oposto se atraem, mas é mentira. A menos que vivamos num filme de natal onde os membros do casal têm zero em comum e, ainda assim, se apaixonam perdidamente.

2. Neva em todo o lado

E se não nevar, inventam uma cidade e país inexistentes só para poder nevar.

3. A neve é quente 

Eu não tenho muita experiência com neve porque, ao contrário das personagens destes filmes, eu sou de uma zona onde neva uma vez de 10 em 10 anos por engano. Dito isto, em nenhuma das vezes em que estive na presença de neve, estive com um vestido de alças. No entanto, é muito recorrente as personagens femininas fazerem-nos e não mostrarem quaisquer sinais de hipotermia. 

4. Problemas familiares

Sabem quantas vezes os dois protagonistas têm uma família perfeitamente normal? Nenhuma. Há sempre um deles que não fala com o pai, mãe ou irmãos. Ou então é órfão.

5. O otário que, de repente, é a melhor pessoa do mundo

Podem dizer-me que isto é recorrente em todos os filmes e séries, mas aqui é ainda mais óbvio. Há sempre a pessoa que odeia o natal e tudo o que isso implica até que aparece uma outra pessoa, apaixonadíssima pela época, que a faz olhar para as coisas de outra perspetiva.

6. O regresso a casa

Há sempre uma personagem que regressa a casa para passar o natal e é lá, ou no caminho para lá, que conhece a pessoa dos seus sonhos. Às vezes é uma pessoa da sua infância. Não sei quanto a vocês, mas eu prefiro desviar o olhar se vir pessoas com quem não falo há 20 anos e aproveito para agradecer a todos aqueles que me fazem o mesmo. Não vos desejo qualquer mal, mas limitemos o nosso contacto à amizade do facebook que já nem nos lembramos que temos.

7. Mal entendido

O casal, que ainda nem é casal, começa a discutir ainda antes de oficializar a coisa. E, curiosamente, nunca é por culpa deles. É sempre um mal entendido enormíssimo.

8. Todos se beijam no final

Uma hora e meia de filme e eles só se beijam no final. Sempre.

9. O azevinho

Decorrente do ponto anterior, há sempre a tentativa de que o beijo aconteça antes, debaixo do azevinho, mas todos sabemos que isso nunca seria possível porque há uma regra que dita que todos os filmes de natal têm de seguir o ponto número 8.

10. Inferioridade feminina

Reparem que nunca é o homem do povo a apaixonar-se pela princesa. Nunca é o empregado a apaixonar-se pela patroa. Nunca. É sempre a mulher, inferior como é a apaixonar-se por uma figura de homem lindíssimo (e este ponto é discutível em muitos dos filmes que vi), inteligentíssimo (ler parenteses anteriores) e superior na sociedade. Agora pensem (citando JJ).

Blogal #11 - Vi (quase) todos os filmes de natal da Netflix e avaliei

blogal dezembro 11, 2020

 


Este título pode levar ao engano na medida em que eu não vi quase todos os filmes de natal da Netflix (porque são demasiados e todos iguais) nem todos os filmes desta lista são da Netflix. Ainda assim, acompanhem-me neste top 10 (do menos mau para o pior) repleto de sugestões maravilhosas para animar o vosso dezembro. Importa referir que todos estes filmes são muito maus. 

10. One Royal Holiday

O clássico filme de natal em que o príncipe se apaixona por uma comum mortal. É repleto de clichés, altamente improvável e com um final impossível, mas deu uma boa versão de "Winter Wonderland" e, só por isso, merece ser considerado o menos mau. Review completa aqui.

9. Christmas Made To Order

A história de uma decoradora e de um arquiteto de sucesso que se apaixonam perdidamente durante o natal. Ele não gosta do natal e ela adora. Os opostos atraem-se, caguem lá nos interesses em comum. No final, ambos se despedem com zero perspetivas de futuro, mas o importante é serem felizes. Review completa aqui.

8. A Wish for Christmas

Trabalhadora e chefe apaixonam-se depois de ela ter pedido coragem ao pai natal e ter confrontado tudo e todos com o seu trabalho maravilhoso e ter salvado a empresa da falência. Review completa aqui.

7. A Princesa e a Plebeia

Uma pasteleira e uma princesa iguais que trocam de lugares durante dois dias. Parece-vos familiar? É porque, provavelmente, viram o Garfiel 2. Review completa aqui.

6. A Cinderella Story

É quase a Cinderela, mas esta canta e compõe músicas. Dizem as restantes personagens que ela compõe as melhores músicas que eles já ouviram e tem a voz mais bonita que eles já ouviram. Concluímos daqui que eles não ouviram muita coisa. Review completa aqui.

5. Christmas With A View

O melhor filme da lista se o que pretendem é adormecer rápido. Além de desinteressante, incluí uma personagem masculina incrivelmente burra. Ele é um cozinheiro de sucesso e ela trabalha no restaurante para onde ele vai trabalhar. E nem um bacalhau com natas nos ensinam a fazer. Review completa aqui.

4. Midnight at the Magnolia

Dois grandes amigos de infância descobrem, passados 30 anos, que afinal estão apaixonados. Sucede que ela está claramente mais apaixonada que ele, mas parece que só eu é que reparei nesse pormenor. Review completa aqui.

3. A Knight Before Christmas

Imagem que, de repente, num mercado de natal, aparece à vossa frente um gajo vestido com uma armadura de cavaleiro e dizer ser do século XIV. O que é que vocês fazem? Não lhe oferecem a vossa casa para ficar? Fiquem sabendo que podem estar a perder o amor das vossas vidas por causa do vosso egoísmo. Review completa aqui.

2. Operation Christmas Drop

Mais um muito bom para adormecer. Este passa-se numa ilha na Ásia para onde a personagem principal é mandada, poucos dias antes do natal, e onde só ela tem internet de qualidade, porque mais ninguém consegue comunicar com a família. Filmaço. Review completa aqui.

1. Christmas Wedding Planner

Possivelmente o pior filme que alguma vez vi. Inclui uma personagem feminina incrivelmente burra, um ex-namorado de uma noiva que é detetive privado e que está a investigar o atual noivo, um casamento desfeito e outro casamento logo de seguida, porque isto está mau e não podemos desperdiçar assim dinheiro. Review completa aqui.

Blogal #10 - Christmas Wedding Planner

blogal dezembro 10, 2020

 

Esqueçam todas as vezes que eu já disse, no decorrer deste Blogal, que determinado filme era o pior de todos. Esqueçam isso porque eu deixei o pior para o final. Ou o melhor, depende da perspetiva. Christmas Wedding Planner é, não só o pior filme de natal que já vi, mas também, muito provavelmente, o pior filme que já vi.

A premissa é simples e, por si só, estúpida. A nossa personagem principal é organizadora de casamentos (notem que esta profissão não existe, uma vez que a mesma se designa pelo nome em estrangeiro), mas nunca organizou um casamento. O primeiro que vai organizar é o da prima que se vai casar na noite de natal. Percebem a estupidez? Uma coisa é um príncipe apaixonar-se por uma rapariga aleatória que conhece da forma mais irreal possível, outra é um casamento na noite de natal. A partir daqui, é sempre a descambar. 

Primeira cena: ela entra no café e bate numa desconhecida e faz-lhe deixar cair o café no chão. Podia ser apenas distraída, mas, pouco depois, começamos a perceber que a nossa personagem principal é tudo o que de mau há: distraída, chata, irritante, burra e não vou continuar porque o meu vocabulário não é assim tão extenso e não quero que se apercebam disso.

Ela foi ao café buscar um bolo de que a tia gosta imenso, mas, obviamente, o homem à frente dela acaba por levar o último. Já sabem como vai acabar a história? Não sabem, acreditem. É que vocês pensam, mas melhor. Logo de seguida, ela vai à festa de noivado que organizou e sabem quem é que está lá? Aposto que não sabem porque é quase inacreditável, mas sim, era o homem do café que comprou o último bolo que também ia dar à tia da personagem principal (isto sem nomes torna-se muito complicado).

Rapidamente ela o vê na festa e decide ir ter com ele toda irritada, com um ar superior, a perguntar se o bolo estava bom. História engraçada: ele é o ex-namorado da prima e está no casamento porque se reencontraram há pouco tempo e ela decidiu convidá-lo. A tia disse à personagem principal para ter cuidado com ele e ela vai, novamente, direta a ele com ar irritado. Juro, esta personagem irradia burrice.

Na verdade, o ex-namorado da prima é detetive privado e está lá para investigar o atual noivo. Mindblowing, não é? Não sei quem é que pensou nisto, mas não quero conhecer esta pessoa. Acabam por se juntar nesta investigação, com a mulher sempre a achar que o noivo não fez nada de errado. Começam a encontrar-se num restaurante que, mais tarde, descobrimos que é do detetive.

A investigação não dá em nada e entretanto ela descobre que ele recebeu dinheiro do pai da noiva e acha que ele o chantageou e corta relações. Uma desgraça. O melhor de tudo é o final. A prima e o noivo estão prestes a casar quando o detetive entra na igreja com uma ex-empregada do noivo grávida dele. Acham que isto deu um escandalo? Estão errados. A noiva ficou triste por exatamente 2 minutos, sem uma única lágrima, e logo a seguir o detetive achou digno pedir a personagem principal em casamento. Uma pessoa que conhece há meia dúzia de dias. E ela aceita. Aceita casar com uma pessoa que conhece há meia dúzia de dias. Tudo isto com a prima a assistir vestida de noiva em plena neve. E, para não se estragar a comida e não se perder o dinheiro já investido, casam-se. E hão de ter vivido felizes até se conhecerem um ao outro e ele perceber o quão burra ela é.