A opinião sobre a opinião política dos portugueses

politiquisses 14:34
Já venho um pouco tarde para falar sobre a queda do governo, não venho? As opiniões multiplicam-se pela internet e pelos cafés e é precisamente por isso que eu não venho dar a minha opinião sobre a queda do governo. Sobre isso já todos falaram e dificilmente eu iria conseguir acrescentar algo relevante a essa discussão (até porque grande parte daquilo que eu digo é completamente irrelevante). Assim sendo, venho dar a minha opinião sobre a opinião dos portugueses.

É difícil agradar ao povo português. Tão depressa chamam gatuno ao Passos Coelho, como uns dias depois lhe erguem um altar. Até ao dia em que o Presidente da República indigitou o governo, queriam todos untar o Primeiro Ministro e o Vice com cola super três, fazê-los rebolar em alcatrão acabadinho de fazer, mandar-lhes uns litros de gasolina para cima e acender um fósforo nas suas cabeças (que ficavam sem alcatrão para se poderem ouvir melhor os gritos de dor). Assim que se começou a falar em acordo à esquerda, já queriam todos erguer um novo santuário em Fátima às mesmas pessoas a quem desejavam uma morte dolorosa.

Entre o momento em que se insultavam com palavras menos bonitas os líderes do governo português e aquele em que estes são considerados os melhores governadores de sempre, passaram 11 dias. Paulo Portas demitiu-se "irrevogavelmente" a 2 de julho e foi nomeado vice a 24 de julho. Os portugueses fartaram-se de criticar mas Paulo Portas demorou o dobro do tempo destes a pensar se devia ou não voltar atrás com a sua palavra.

Se António Costa for indigitado Primeiro Ministro acredito que passados cinco dias e meio (para termos uma estatística por onde nos guiarmos para eventos futuros) os portugueses vão estender passadeiras vermelhas por todos os lugares onde o líder do PS passar. O povo português é mais difícil de satisfazer que uma criança bipolar. 

Parabéns ao Sporting

sporting 17:19

Estou a escrever já isto porque temo que em maio vou estar demasiado aziada para dar os parabéns a um clube que não ganha o campeonato há 15 anos. Quem não se lembra do colinho? Eu lembro e, curiosamente, este ano nenhum sportinguista se atreve sequer a mencioná-lo. No ano passado, diz o Bruno, não fosse o colinho e eu não tinha ido ao marquês. Este ano o campeonato está justíssimo. 

O mais engraçado é que Bruno de Carvalho quer passar uma imagem de pessoa muito a favor da verdade desportiva mas quando é a seu favor já está tudo bem. Às tantas a verdade desportiva dele é diferente da minha. Eu odeio que o meu clube ganhe com ajudas de árbitros e quem me conhece sabe que eu sou a primeira a admiti-las, mas isso sou eu.

Imagens daqui

O que se viu ontem no jogo frente ao Arouca foi ainda melhor do que o que já tínhamos visto na jornada passada. O Naldo fazer um penalti? Não, nunca. O Sporting marcar no último minuto? Ainda não tinha acontecido esta época. O mais triste é que isto só prova que o Jesus é um péssimo treinador quando não está num dos melhores. Sim, porque as exibições do Sporting são péssimas. O que é certo é que o Lito Vidigal tem mais minutos na liga que o Cristante e, se o mundo fosse justo, teria mais minutos que o Pizzi, mas isso já é outra conversa.

O que é que tem mais piada?

15:07
a) a capa da GQ deste mês

b) as publicidades do Paulo Futre


O dia do ano com maior stock de doces

17:13
1 de novembro é para muitos apenas mais um feriado que até há pouco tempo era celebrado. Também é assim para mim. Mas, quando era criança, 1 de novembro era um dos melhores dias do ano. Até aos meus 18 anos pensava que era assim para todas as crianças. Não podia estar mais enganada. Foi preciso ir estudar para a capital para perceber que o "dia do bolinho" não o era para toda a gente.

O que é o "dia do bolinho"? Basicamente era o dia em que saíamos à rua para pedir "bolinhos" às pessoas com um "ó tia dá bolinho, em louvor de todos os santinhos" ou, numa versão mais hard core "ó tia dá bolinho, com a cavaca no focinho". O funcionamento é simples, mas o planeamento nem tanto. Fazíamos quilómetros para percorrer o maior número de ruas possíveis. Chegámos a subir subidas (e depois também descíamos as descidas) enormes por quatro casas que nos davam chocolates (em duas eram sempre tabletes e numa outra um ovo kinder, portanto valia a pena).

Levantávamo-nos cedíssimo para conseguir percorrer todas as ruas a que nos tínhamos proposto no trajecto previamente definido (como se precisássemos de trajecto para lugares que conhecíamos tão bem) e, à hora de almoço, lá tínhamos uma hora para almoçar e despejar a quantidade de bolos que trazíamos na mala. O mais engraçado é que ninguém comia os bolinhos e estes pesavam toneladas durante os quilómetros que percorríamos. Mas não importava. O que importava era o convívio e os doces que trazíamos de casa. Recebi um pouco de tudo ao longo dos anos: bolinhos, rebuçados, tabletes de chocolates, bolachas, chocolates, castanhas e até dinheiro (e quando já sabíamos que a pessoa ia dar dinheiro, separavamo-nos em grupos mais pequenos para nos darem uma moedinha de maior valor).