O que é a websummit?

websummit 21:42
Hoje estava no metro a caminho de casa quando um jovem colocou uma pergunta bastante pertinente aos seus colegas: o que é a websummit? É uma pergunta interessante na medida em que me parece que ninguém neste país sabe bem o que é esse mito.

Os colegas de percurso mandaram para o ar algumas respostas:

  • "Tem a ver com cenas de turismo"
  • "Isso não é de start ups?"
  • "Não sei, mas traz bué pessoas"
  • "Tem conferências"
  • "São merdas de negócios"
Tudo isto são excelentes suposições na medida em que notamos que a websummit traz efetivamente muita gente, é sobre start ups (porque hoje em dia não há outro tipo de empresa), podemos confirmar nos instastories de pessoas que ganham bilhetes que tem conferências e há de ser relacionado com negócios.

Não sei se já repararam, mas só são admitidas pessoas que andam em toda a Lisboa com o cartão com o seu nome pendurado ao pescoço. Atrevam-se a tirar o cartão quando saem da Altice Arena e nunca mais entram. Todos os dias troco de linha na Alameda. Podem imaginar a minha alegria ao ter mais umas dezenas de pessoas a cruzar aquele caminho enorme entre as linhas verde e vermelha. Pelo menos estas não são como o comum dos mortais... Estas têm o nome num cartão a dizer websummit

Eu trabalho na continuação da rua cor-de-rosa. Hoje há nessa mesma rua a night summit. Colocaram mais um tapete cor-de-rosa, umas luzes nas janelas e fecharam a estrada. O ambiente, digno de senhoras cuja atividade profissional é isenta de impostos, parece-me perfeito para amanhã de manhã chegar ao trabalho e vomitar logo de seguida.

Notei, quando ia para casa, que há autocarros especiais para o evento. Passou um por mim com zero pessoas. Durante o ano não há budget para mais metros, mais autocarros ou mais comboios mas, felizmente, para melhorar a imagem internacional do nosso país, há dinheiro. Se o Luís Filipe Vieira se preocupasse tanto com o que a Europa pensa do Benfica como o Medina se preocupa com o que pensam de Lisboa, não estava a escrever isto em vez de ver o jogo.

Agora vou publicitar este texto no instagram como as influencers fazem. Vou pôr um print screen com um sticker em cima a dizer "new post" que ocupe espaço suficiente para que ninguém perceba o quão desinteressante isto é e em baixo "link na bio" com grande destaque.

Malefícios da chuva consideravelmente piores do que aqueles que todos reconhecem mas nos quais pouca gente pensa

inverno 19:50
Já repararam que eu tenho um problema com títulos? Títulos e finais de textos. Desde sempre. No geral o conteúdo também não é grande coisa mas consigo disfarçar melhor nesse caso.

Já repararam também que toda a gente se queixa da chuva sem se queixarem da pior das consequências que nos é trazida pelo mau tempo? É mau ficar molhado? Claro. É mau carregar o guarda-chuva? Sim. É mau bater com o guarda-chuva no de outra pessoa porque ninguém consegue ver por onde anda? Hum hum. É mau andar na calçada portuguesa escorregadia? Muito. Aliás, as pessoas que insistem em colocar calçada nas nossas estradas deviam repensar as suas vidas.

Mas há uma coisa muito pior que tudo isto e com a qual as pessoas não se revoltam: gente que anda com o guarda-chuva perpendicular ao corpo. Ora, o guarda-chuva deve estar em posição vertical, no seguimento do sentido dos nossos corpos. Há pessoas (e não são poucas) que agarram o guarda-chuva no meio (como se aquilo não tivesse um local próprio para ser agarrado) e o levam numa posição horizontal e perpendicular ao seu corpo deixando aquele bico final para trás. Quem anda atrás destas pessoas tem de ter cuidados redobrados para não ter o seu lombo perfurado pelo guarda-chuva da pessoa que não sabe viver em sociedade.

(Vêem aquele problema dos finais de texto?)

Pessoas que não sabem estar em escadas rolantes

estupidezes 16:02
No outro dia tinha uma notificação da página de facebook e pensei durante escassos segundos "ui tenho novos fãs". Rapidamente me apercebi que isso não podia ser verdade e concluí o que posteriormente vim a confirmar: era uma daquelas notificações que avisa o proprietário de uma página que as pessoas que têm gosto na mesma não sabem de nós há algum tempo. É normal, até porque desde o início de janeiro que nada é publicado aqui apesar de estarem umas quantas coisas em rascunho. 

Como me senti mal pelas pessoas quem anseiam pelas minhas estupidezes aqui e no facebook, decidi que estava na hora de vir falar de uma das coisas que mais me atormenta no dia-a-dia: pessoas que não sabem estar em escadas rolantes. Tenho notado, com o passar do tempo, que há quatro tipos de pessoas que não sabem estar em escadas rolantes. 

1. Os esfrega-cidadãos

Não sei se estão familiarizados com a expressão proveniente de uma mixórdia de temáticas mas não é complicado percebê-la neste contexto. É regra geral que devemos dar uma escada de intervalo para com a pessoa que está a subir à nossa frente. Qualquer pessoa sensata sabe isto. Infelizmente há demasiadas pessoas insensatas neste mundo.

2. Os que se estacionam no lado esquerdo

É outra regra: se estás do lado esquerdo é para ires andando. Ainda que a pessoa não saiba que não deve ficar parada no lado esquerdo das escadas rolantes, não é difícil concluir isso quando vê toda a gente do lado oposto ou quando lhe pedem licença duzentas vezes para passar.


3. Os que andam mas mais valia estarem parados

É uma espécie diferente da de cima e ainda mais irritante. Todos os dias me cruzo com pessoas destas que estão do lado esquerdo, a subir as escadas como deve ser mas extremamente devagar. São 8:55 da manhã e parece que eu sou a única pessoa com pressa.

4. Os que vão por escadas normais se as rolantes estiverem avariadas

Durante vários dias as escadas rolantes do Cais do Sodré estavam avariadas. Quem está familiarizado com a estação perceberá melhor o que vou dizer mas vou tentar explicar esta estupidez o melhor possível. Quando saímos do metro as escadas mais próximas são as rolantes e essa é a única razão pela qual nunca subo pelas outras. Durante estes dias de avaria, reparei que a grande maioria das pessoas escolhia andar mais e subir pelas escadas normais. Ora, eu não sou expert em escadas mas podia jurar que as rolantes paradas e as normais são exactamente a mesma coisa e, portanto, subir por umas ou por outras também é exactamente a mesma coisa. Ir pelas escadas normais implicaria um maior deslocamento e, por conseguinte, maior cansaço. Burros.

Vemo-nos novamente daqui a 5 meses...

Previsões para o signo aquário

signos 16:39
Gosto sempre de começar o meu ano por analisar todas as variáveis que me vão afectar nos próximos 365 dias. A primeira delas é, obviamente, a mais importante: as previsões do meu signo. 

O primeiro passo é ler o que diz a Maya (que agora tem uma revista dedicada ao assunto que, ao que parece, dá dinheiro). A Maya divide as previsões em seis campos e maioria deles é bastante desfavorável para os aquarianos.

A primeira categoria que li foi a do dinheiro porque é aquilo que realmente importa na vida. Ao que parece vou estar mal, portanto zero mudanças em relação a 2018. Passamos ao campo do amor e a Maya diz que eu vou estar bem. Tendo em conta que o meu objectivo é arranjar um velho rico que morra passado uma semana e me deixe a sua herança, parece-me que temos aqui uma contradição. É isso ou este sector refere-se ao grande amor da minha vida: o Benfica. 

No campo profissional parece que não vou ter "progressão" e me vou sentir "lesada". Por outro lado também parece que eu "sei o que quero" quando na verdade não faço ideia nenhuma por isso talvez isto seja tudo mentira. 

No campo familiar vai estar tudo "estável". Faz todo o sentido quando olhamos para os signos com as "ligações mais tensas" e lá está balança que é só o signo do meu pai. Pelo sim, pelo não já lhe disse para evitarmos ao máximo conversar este ano. Ele sorriu e concordou logo. 

2019 é tão desfavorável que até no campo da amizade vou estar mal. Diz a Maya que sempre que eu recorrer aos meus amigos vou sentir-me "decepcionada dado que eles não vão mostrar disponibilidade". Espero que haja amigos meus a ler isto para fazerem um exame de consciência ao longo de 2019 sempre que disserem "hoje não posso". É por isto não sabem nada da minha vida. Por isto e porque não há nada para saber. No campo da saúde, os aquarianos devem procurar ajuda psicológica. Achava que era psiquiátrica portanto nem tudo está mau. 

Como eu sou uma pessoa que gosta de ouvir várias opiniões, decidi ver o que o bruxo do Goucha tinha a dizer sobre o meu signo. Primeiro que tudo, estou em 3.º lugar. Parecia bom, até que o bruxo (cujo nome desconheço) diz que os nascidos entre 21 e 29 de janeiro têm de ter mais cuidado porque vão andar "mais stressados". Logo de seguida ouvi um "os aquarianos são pessoas muito energéticas". Qualquer pessoa que me conhece pode confirmar isto, claro. A solução é dizer que "Deus existe" e as coisas ficam resolvidas porque o que importa é "ter fé".

Por último, consultei as previsões da Maria Helena que dá a Aquário uma carta diferente daquela que deu a Maya e diz que eu terei "boas hipóteses de concretização no domínio profissional e financeiro". 

Isto é capaz de ser tudo aldrabice mas o meu pai gostou tanto da ideia de quase não falar comigo que não lhe vou fazer a desfeita.

Ideias para prendas de natal para os pais

natal 22:31
Desculpem, esqueci-me do ponto de interrogação. É uma questão. Deixem nos comentários.

Limites do humor

Benfica 19:57
Ontem a RTP reuniu num estúdio de televisão Herman José, Maria Ruef, Eduardo Madeira, Luís Franco Bastos, Rui Sinel de Cordes e Mariana Cabral (e mais alguns na plateia). Pode não parecer mas todos estes comediantes (e o Eduardo Madeira) se reuniram para o Prós e Contras, esse programa que leva a debate os grandes assuntos da sociedade. Sucede que o tema ontem era os limites do humor.

Além de vivermos num mundo onde as pessoas insistem em perguntar quais os limites do humor ao melhor humorista português (para quem não sabe a quem me refiro, é preferível abandonar este blogue) como se ele nunca tivesse respondido a essa questão, descobrimos que a estação pública portuguesa acha normal fazer um debate sobre o assunto.

Permitam-me que responda à questão sem grandes debates ou perdas de tempo: não existem, à excepção de uma situação específica que é aquela piada do Rui Vitória continuar no Benfica. No início até estava a ter graça isto de ser campeão sem saber jogar à bola mas agora já não acho assim tanta piada e se calhar estava na altura de acabar com essa brincadeira, não era?

Mentiras que me contavam sobre o trabalho

13:59
Serve o presente texto para provar que as pessoas que me foram dizendo isto ao longo dos anos estavam (como acontece regularmente) erradas. Para contextualizar aqueles que possam ter vindo a este blogue por engano (que é o que acontece com toda a gente), eu só tive um horário das 9 às 6 durante um mês da minha vida e ainda estava a estudar. Agora, que tenho este horário, há várias coisas novas na minha rotina a que tenho de me adaptar.

A primeira é óbvia: levantar-me cedo (e notem que, para mim, cedo é qualquer hora antes das 11 da manhã). Toda a gente me dizia (e continuam a dizer) que eu ia acabar por me habituar passadas umas semanas e depois, ao fim de semana, nem ia conseguir dormir até tarde. "Umas semanas" é uma expressão um pouco vaga na medida em que significa qualquer conjunto de semanas compreendidas entre duas e infinitas. Partindo deste princípio, talvez eu ainda não tenha deixado passar semanas suficientes e talvez eu comece eventualmente a sentir estes sintomas mas, por enquanto, continuo a odiar acordar cedo e continuo a dormir até às tantas no fim de semana. 

Reza a lenda que faz bem sair todos os dias, ver pessoas e ter uma rotina definida. Não faz. Eu gosto muito da minha companhia e gosto muito da minha casa. Não preciso de sair todos os dias para o mesmo sítio nem preciso de conhecer pessoas novas porque isso implica efectivamente conhecê-las e além de eu ser péssima a fazer conversa, também não me quero dar a conhecer porque sei que, a partir desse momento, não há qualquer probabilidade de essas pessoas continuarem a falar comigo (a menos que tenham problemas mentais graves ou estejam a conduzir um estudo qualquer para perceber  minha mente).

"O dia de receber é o melhor do mês". Se for a uma sexta-feira até é capaz de ser. Se for a uma segunda não é assim tão bom até porque depois tenho de fazer a transferência ao senhorio, carregar o passe, comprar o bilhete para ir a casa no fim-de-semana e ir ao supermercado (cujo nome não vou revelar porque ninguém me paga para isso). Depois disto tudo, vou gastar o que sobra em bilhetes para o Benfica ou para concertos porque poupar é para os fracos.

Dito isto, podemos todos concordar que trabalhar não é a melhor coisa do mundo. Felizmente, também é possível que nem sempre seja a pior. Se algum dia se sentirem mal, lembrem-se de todas as pessoas que já trabalharam em sítios que odiavam. Se são essa pessoa, despeçam-se. Foi o que eu fiz da última vez que trabalhei das 9 às 6.

Modas que não fazem sentido (pelo menos na minha mente)

19:36
Eu não sou conhecida pelos meus dotes de observadora (na verdade, eu não sou conhecida por nada e é assim que pretendo manter-me), no entanto, há uma quantidade absurda de modas que invadiram o quotidiano das pessoas que, por muito que eu tente, não me passam ao lado. 

T-Shirts da Levi's

Que atire a primeira pedra quem não conhece ninguém com uma destas t-shirts. A toda a hora surgem modas que eu não consigo perceber mas esta é capaz de ser a mais estúpida. Como se não chegasse ser estúpida, também é uma moda discriminadora (que é um defeito quase tão grave como o anterior) na medida em que não permite que mais nenhuma loja além da Levi's venda as tão desejadas t-shirts. Nunca, em toda a minha vida, achei que uma maioria da população portuguesa fosse querer andar de t-shirt branca com o logotipo de uma marca mas, como acontece frequentemente, estava enganada.

Garras de gel

Tornou-se comum, de há uns anos para cá, ter unhas de gel. Ou não ter unhas de gel mas usar verniz de gel. Ou meter gelinho que faz o mesmo efeito visualmente mas toda a gente insiste que é diferente sem me conseguir explicar o porquê de o ser (ou isso ou sou eu que não percebo nada do assunto que é uma opção que eu nunca descarto). O que mais me atraí nesta moda é observar as pinturas feitas em cada uma das unhas de uma pessoa que são dignas de estarem expostas no CCB. O Joe Berardo, se fosse esperto, arranjava um contracto com uma pessoa que faz este tipo de unhas e, no final de cada mês, passava por lá a recolher todas as unhas arrancadas. Neste momento eu faço parte dos 2% de pessoas que tem unhas feitas de um material que caiu em desuso: unha. 

Brunch

Estou a tentar perceber o encanto do brunch há bastante tempo. Dizem-me que é fenomenal mas a verdade é que eu não consigo encontrar nada de bom nesta refeição que se faz a meio da manhã e pretende misturar o pequeno-almoço e o almoço. Ir brunchar durante a semana é impossível porque, infelizmente, temos de trabalhar. Ao fim de semana parece que há filas intermináveis e, quando chega a hora de entrar no restaurante, em vez de brunch, comemos um janche, que é uma mistura de lanche com jantar mas que não soa bem porque é em português. Não fosse isto suficiente para me fazer desistir de ir ao brunch, ainda há o facto de isso implicar levantar-me cedo ao fim de semana. Aos sábados e domingos já é uma sorte é eu levantar para fazer outra coisa que não seja aliviar a bexiga. Não querendo estar a constatar o óbvio, há um autor incrível que escreveu sobre o tema há uns tempos atrás e com o qual eu concordo a 100%.

Perguntas nos instastories

Como sabem um dos meus grandes objectivos com este blogue é promover o serviço público. Assim sendo, permitam-me que vos diga uma coisa: ninguém está interessado em ler as vossas respostas a perguntas desinteressantes que vos foram feitas. Na verdade, ninguém estaria interessado mesmo que as perguntas fossem interessantes mas, como ainda está para chegar o dia em que eu encontro uma dessas num instastorie, vou limitar-me a falar do que sei. A menos que sejam famosos (e mesmo assim o que é demais também enjoa a menos que sejam golos do Benfica) evitem achar que são mais relevantes para os vossos seguidores do que aquilo que realmente são. De nada.

Música espanhola

Quem está farto de ouvir a música do Toy, nunca experimentou ouvir reggaeton durante mais de 2 minutos. Não sei se já repararam mas estas músicas são todas iguais. É certo que a indústria musical (pelo menos aquela que a rádio nos mostra) está a ultrapassar uma fase de falta de originalidade tremenda, mas é escusado importar "música" de países latinos. Aflige-me imenso que esta seja uma epidemia global e preocupa-me que ainda não tenha passado. Começo a pensar que o mundo está a chegar a um ponto em que não há salvação possível que não seja o apocalipse.

Óculos que ficam mal a TODAS as pessoas

Sabem aqueles óculos da moda que toda a gente tem com a forma de uma espécie de triângulo isósceles? Se tu, que estás a ler isto (não sei quem é que estou a enganar porque ninguém lê isto), tens uns desses, permite-me que te ajude e te diga a verdade: eles não te ficam bem. Na verdade isto acaba por ser um elogio porque, provavelmente, eles ficam-te mesmo bastante mal como acontece com a maioria das pessoas. Ora, eu sou uma pessoa a quem nenhuns óculos ficam bem e, por isso mesmo, vejo-me obrigada a conduzir com o sol a queimar-me a retina. Isto é gente a quem óculos normais ficam bem mas que optam por usar os que lhes ficam mal. São pessoas que não merecem este mundo. Penso que esta moda é o primeiro passo para que comecemos a aceitar sair à rua com peças de roupa e acessórios que não nos fiquem bem. O próximo passo é oficializar o pijama como roupa aceitável para ir trabalhar. 

CP *coração*

cp 20:23
Não sei se estão recordados mas há uns meses mandei uns bitaites sobre o tempo que perdemos à espera de coisas no geral. Ora, uma das coisas pelas quais mais esperamos são os comboios. Na sexta-feira fiquei meia hora à espera que um intercidades saísse de Santa Apolónia, porque a CP é tão incrível que os comboios se atrasam logo na estação de partida. No domingo o comboio que eu ia apanhar estava 48 minutos atrasado. Não tinha computador para ver séries nem nenhum livro comigo portanto a minha única opção era o tédio total.

Eu não lido bem com esperas e atrasos e decidi tomar uma medida drástica e, como toda a gente faz, indignei-me em plenas redes sociais. Respondeu-me certamente o social media manager da CP a dizer-me que reclamasse (desse sugestões, vá) no site ou que preenchesse uma reclamação numa estação. Pensei para comigo mesma que isso era inútil porque nada vai mudar. Por outro lado, a ideia de escrever um reclamação dirigida à CP é algo que quero fazer há bastante tempo e sei que até me ia proporcionar algum prazer. Felizmente amanhã é sexta-feira e tempo é o que não me vai faltar para escrever um texto elaborado. Pelo sim, pelo não já meti sandes e águas na mala que o Pingo Doce não está aberto até tarde.

Consequências nefastas do calor

jornalismo 15:04
Na praia:
"Boa tarde. Está calor, não está?"
"Está."
"E como é que se vai proteger deste calor?"
"Olhe, bebo muita água e ando mais à sombra."

Numa praia fluvial no interior:
"Boa tarde. Está calor, não está?"
"Está."
"E como é que se vai proteger deste calor?"
"Olhe, bebo muita água e ando mais à sombra."

Numa esplanada qualquer de uma terra que ninguém conhece:
"Boa tarde. Está calor, não está?"
"Está."
"E como é que se vai proteger deste calor?"
"Olhe, bebo muita água e ando mais à sombra."

Numa praça de uma capital de distrito que não Lisboa ou Porto:
"Boa tarde. Está calor, não está?"
"Está."
"E como é que se vai proteger deste calor?"
"Olhe, bebo muita água e ando mais à sombra."

E com esta constatação do óbvio ocupa-se uma bela meia hora de um noticiário. É o tipo de jornalismo que merecemos depois de fazermos 70 publicações diárias em todas as redes sociais sobre quantos graus estão.